O Corinthians ainda nem sequer iniciou a venda de ingressos para a segunda final do Campeonato Paulista, contra o Palmeiras, mas em grupos e em conversas privadas no WhatsApp cambistas já oferecem entradas para diferentes setores da Neo Química Arena. Espaços populares como o Sul (atrás do gol) são negociados a R$ 600. Já lugares "premium", como as cadeiras do setor Oeste, chegam à bagatela de R$ 1,5 mil. O problema não é novo, mas a sensação de torcedores e até de funcionários do Corinthians é de que o cambismo vem se agravando nos últimos tempos. Em paralelo, tem sido cada vez mais difícil para os membros do programa Fiel Torcedor conseguirem garantir presença nas partidas.
Há diferentes formas de abastecimento desses vendedores ilegais. A reportagem do ge conseguiu rastrear ingressos negociados por cambistas com três origens diferentes: sócios-torcedores, conselheiros e até mesmo por uma conta do próprio clube. O Corinthians reserva milhares de ingressos para uso interno. Eles são repassados a jogadores, empresários, parceiros comerciais e outros convidados do clube. Porém, alguns acabam parando na mão de criminosos, como num caso comprovado pelo ge. Ele ocorreu na última partida da equipe em casa em 2024, contra o Bahia, em 3 de dezembro.
Um relatório do Corinthians obtido pela reportagem mostra que dois ingressos vendidos por cambistas saíram da conta denominada "Arrecadação - Vendas". Eles foram adquiridos por R$ 45 cada e vendidos por preço quatro vezes maior: R$ 180. Os ingressos em questão estão em nome de Anderson Prado, que não foi localizado. A "Arrecadação - Vendas" é uma das contas do Corinthians com mais ingressos reservados. Na partida em que a Neo Química Arena registrou seu recorde de público, contra o Santos, na primeira fase do Paulistão deste ano, foram 2.662 ingressos designados para este login, segundo o clube.
Relatório extraído antes da partida e obtido pelo ge apresenta uma carga ainda maior: 4.171. Há diversas outras contas internas como essa. No jogo contra o Santos, segundo informações fornecidas pelo Corinthians, foram 357 ingressos para a conta "Comercial Arena", 533 para "Operação Arena" e 611 para "Arrecadação SCCP". Os ingressos direcionados a contas internas geram suspeitas de funcionários do Corinthians.
O controle de acesso aos estádios passará a ser feito por reconhecimento facial. Por lei, os estádios com capacidade para mais de 20 mil pessoas têm até junho de 2025 para utilizar essa tecnologia. O Corinthians está realizando estudos para a implementação desse sistema, porém a diretoria vem adiando sistematicamente a contratação e implementação da biometria, conforme relatos do ex-chefe de tecnologia do clube, Marcelo Munhoes.



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