As torcidas organizadas do Corinthians realizaram uma manifestação no Parque São Jorge, na noite desta quinta-feira (24), contra antigos gestores do clube. Segundo estimativa dos organizadores, cerca de 2,5 mil pessoas participaram do ato, que teve como foco a cobrança aos ex-dirigentes e a defesa da reforma do estatuto do clube. Os principais alvos do protesto foram os ex-presidentes do Corinthians: Duilio Monteiro Alves, Andrés Sanchez e Augusto Melo. Os dois primeiros integraram a chapa Renovação e Transparência, que esteve à frente do clube entre 2018 e 2020, na figura de Andrés, e de 2021 a 2023, com Duilio. A Gaviões da Fiel, principal organizada do Corinthians, convocou o ato após a derrota do Timão no Majestoso, no último sábado (19). Seis ônibus saíram da sede da torcida. No Parque São Jorge, um batalhão do Choque chegou durante a tarde, e diferente do que acontece em outros dias, havia poucos associados no clube. Torcedores de outras organizadas, além de corintianos sem vínculo com as agremiações, marcaram presença na manifestação.
À frente do ato, havia diversos elementos simbólicos contra os ex-dirigentes, como coroas de flores, bonecos com os rostos dos alvos e faixas com mensagens de repúdio. Enquanto isso, os presentes entoavam cânticos de contestação. Durante o evento, torcedores do Corinthians simularam um 'funeral' simbólico dos quatro ex-presidentes do clube: Roberto de Andrade, Mário Gobbi, Duilio Monteiro Alves, Andrés Sanchez e Augusto Melo. Imagens do dirigente foram colocados em caixões, enquanto um caminhão de som tocava uma marcha fúnebre.
Vinicius Cascone, ex-diretor jurídico do Corinthians na gestão de Augusto Melo, também esteve entre a multidão. Fora do clube desde o afastamento do presidente, em 26 de maio, o advogado se reuniu com a Gaviões da Fiel para discutir a reforma do estatuto, outra pauta defendida na manifestação, que pleiteia o direito de voto ao torcedor. A manifestação acabou por volta das 21h (de Brasília), quando os torcedores deixaram o clube sem maiores incidentes.
Recentemente, faturas vazadas revelaram gastos indevidos com o cartão corporativo do Corinthians durante diferentes gestões. Andrés Sanchez admitiu ter utilizado o benefício para custear uma viagem pessoal ao Rio Grande do Norte, em 2020, com despesas que somam R$ 9 mil. Duilio Monteiro Alves foi acusado de gastar R$ 86 mil em 176 compras ao longo de 2023, incluindo carnes nobres, cigarros e medicamentos para disfunção erétil. Ele, por sua vez, nega a veracidade das faturas. Augusto Melo, eleito em 2023 pela chapa Movimento Corinthians Grande, marcou o fim de um ciclo de 16 anos da antiga gestão. Em maio deste ano, ele foi afastado do cargo pelo Conselho Deliberativo após denúncias de irregularidades no contrato de patrocínio com a casa de apostas Vai de Bet, que vigorou entre janeiro e junho de 2024.



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