O Corinthians prevê terminar 2024 com as contas no vermelho em R$ 237,8 milhões. A projeção do déficit consta em documento enviado aos conselheiros do clube. O resultado financeiro é bem pior do que o previsto no início da temporada. O orçamento para o ano, revisado em março, estimava um superávit de R$ 17,5 milhões. A diferença é justificada em parte por três gastos que não estavam previstos: R$ 37 milhões em despesas com jogos e R$ 40 milhões de despesas financeiras; R$ 32,7 milhões com Profut; R$ 140,8 milhões devido a uma mudança de regra contábil em relação a formação de atletas; Sobre este último ponto, o clube esclareceu por meio de nota oficial que "até 2023, a contabilização do custo de formação de atletas das categorias de base era entendida como ativo. Ou seja, esses custos e despesas eram revertidos do resultado para o ativo do balanço. A partir de 1º de janeiro de 2024 a regra mudou e os clubes tiveram que contabilizar como despesas esses valores acumulados no balanço patrimonial em seu resultado. Sendo assim, como a regra demanda, o Corinthians fará esse ajuste este ano, e portanto, o valor acumulado no balanço de anos passados, em sua totalidade, serão apresentados como despesas em 2024."
Outro fator que ajuda a explicar o déficit é a arrecadação menor do que o previsto, especialmente com patrocínios. O clube calculava que arrecadaria R$ 263,1 milhões, mas agora prevê fechar o ano com R$ 178,1 milhões. Além disso, as despesas financeiras (principalmente com juros) em 2024 devem ser de R$ 176,2 milhões, sendo que no orçamento estimava-se 96,7 milhões. Os gastos também foram maiores do que o orçado. As despesas operacionais foram de R$ 692,9 milhões, R$ 47 milhões acima do previsto. Por outro lado, arrecadou-se mais com vendas de atletas do que se esperava. O Timão faturou R$ 373 milhões com transferências na temporada.
Turbinado por estas negociações, sobretudo as vendas de Gabriel Moscardo e Wesley, o clube obteve um superávit operacional de R$ 55,8 milhões. Em 2024, a dívida do Corinthians cresceu cerca de R$ 400 milhões, indo de R$ 1,97 milhões para R$ 2,39 milhões. Parte desse aumento se deve à revisão de dívidas tributárias, de R$ 109 milhões. O clube reconheceu dívidas municipais e federais incorridos de anos anteriores. Todos esses valores ainda podem mudar até o final do ano, eles fazem parte de uma projeção feita pela diretoria financeira do clube.



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