3/6/2020 13:59

Qual a situação da pandemia nas cidades com clubes do Brasileiro

Mais da metade dos 20 clubes do Campeonato Brasileiro já se reapresentou e/ou iniciou as atividades em seus centros de treinamentos. Outros dois têm previsão de retorno nos próximos dias. Apenas os grandes de São Paulo, Bahia, Botafogo e Fluminense mantêm cautela máxima, aguardando aval dos agentes de saúde, para retomarem o trabalho em segurança e finalmente ver a paralisação no futebol nacional, iniciada em 15 de março, acabar.



A Série A teria completado um mês de disputa nesta quarta-feira (3) não fosse a pandemia do novo coronavírus. Cinco das 38 rodadas já teriam sido jogadas e o torcedor teria assistido no último fim de semana aos clássicos estaduais entre Palmeiras x Santos e Flamengo x Botafogo, por exemplo.

Em praticamente três meses sem competições esportivas, os clubes que ainda não voltaram aos seus CTs mantêm seus jogadores treinando à distância, com orientação virtual. Seguem as orientações de isolamento e temem que a precipatação de algumas equipes leve a um período ainda mais longo de espera.

“A volta das atividades econômicas bem como do futebol são assuntos que nem deveriam ser tratados. Estamos no meio de uma curva ascendente da pandemia. Eventualmente com alguma estabilização na classe A, mas da classe B para baixo, principalmente nas camadas mais pobres da população, ela é ascendente”, disse Renato Anghinah, neurologista e representante do Sindicato dos Atletas na comissão da FPF (Federação Paulista de Futebol), para a ESPN Brasil.

“Existe um risco ainda de termos a necessidade da utilização da capacidade plena da capacidade hospitalar e das UTIs. Não só em São Paulo, mas interior de São Paulo e outros estados. Falar em flexibilização nesse momento é no mínimo arriscado para não dizer outra coisa”, complementou Anghinah.

Das 11 cidades sedes dos clubes da Série A, Recife, Fortaleza, Santos e São Paulo enfrentam os piores cenários na relação número de casos confirmados por número de habitantes. Em número de mortos a situação é pior para São Paulo, Rio, Fortaleza e Recife. Vale lembrar que o Estado de São Paulo concentra 25% dos participantes do torneio.

O Brasil superou na última terça (2) a contagem de 30 mil mortos por COVID-19.



“Não faz sentido termos cidades em diferentes fases de afrouxamento e liberarmos o alto fluxo de pessoas entre os municípios. Temos o exemplo de São Paulo. É uma região que registra um grande número de casos se compararmos a outros lugares em que pandemia está melhor controlada, como Porto Alegre. Não é a hora de voltarmos a ter competições com viagens por todo o Brasil”, disse Felipe Fillate, coordenador pedagógico do Hexag Medicina, para a reportagem.

Nos próximos dias o grupo dos clubes da Série A que retomaram suas atividades presenciais vai aumentar consideravelmente. O Goiás prevê retornar ao CT a partir de sexta (5), enquanto o Sport programou a reapresentação no dia 15.

O Grêmio e o Internacional foram os primeiros clubes da Série A a começar a treinar, em 5 de maio, com autorização da prefeitura de Porto Alegre. No dia 19, Atlético-MG e Flamengo retomaram as atividades.

Os flamenguistas lidavam com a morte recente do massagista Jorge Luiz Domingos, vítima de uma parada cardiorrespiratória causada pela COVID-19. Ainda registrou 38 casos da doença, sendo três jogadores.

Tudo isso não mudou o posicionamento da diretoria.

O Flamengo é uma das vozes favoráveis ao retorno do futebol. Há duas semanas, o presidente Rodolfo Landim encontrou-se com o presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido) para tratar do tema. Na conversa chegou a cogitar a retomada do Estadual em Brasília, cidade que controla melhor a pandemia em relação ao Rio de Janeiro.

O presidente do Vasco, Alexandre Campello, esteve no encontro e também é favorável à volta do futebol. O time se reapresentou na última segunda (1º), em São Januário, para uma bateria de exames médicos e físicos. O sinal de alerta foi ligado porque 16 jogadores testaram positivo para COVID-19 e foram afastados.

Também na segunda, Ceará e Fortaleza retomaram as atividades. A capital cearense adotou o "lockdown" de 5 a 31 de maio, na expectativa de aumentar o isolamento social e diminuir a curva da COVID-19.



Não necessariamente todos os clubes que voltaram aos treinos querem a retomada imediata dos campeonatos. A dupla de Porto Alegre é favorável a discutir a possibilidade de voltar a jogar com aval das autoridades de saúde.

Já a ala mais radical tem usado a Alemanha como exemplo. Foi o primeiro país a voltar a ter jogos de futebol após a definição de um protocolo rígido de segurança. Espanha, Inglaterra, Portugal e Itália vão fazer o mesmo.

No entanto, o cenário europeu é diferente do brasileiro. Aqui os números mostram crescimento da curva da COVID-19, enquanto lá houve queda no número de casos e mortes. No Brasil, há indicativos de que a situação deve piorar.

Uma pesquisa da APM (Associação Paulista de Medicina) respondida por 2.808 médicos em todo o país, das redes pública e privada, revela que 84,5% consideram que o pior da doença ainda está por vir.

E 96,6% entendem que é provável que faltem profissionais para cuidar dos infectados.

“Vai piorar e muito. Tivemos mais de mil mortos por dia, um desfecho que não permite dúvida sobre a gravidade. [...] Vários equipamentos de saúde já estão no limite”, disse José Luiz Gomes do Amaral, presidente da APM, para a “Folha de S.Paulo”, jornal que publicou a pesquisa na última segunda-feira.

A resistência mais forte contra a retomada as competições está em São Paulo, com os clubes grandes alinhados com a FPF (Federação Paulista de Futebol) e o Governo do Estado.

O presidente corintiano, Andrés Sanchez, chegou a publicar uma carta pedindo se unam em meio ao caos, dizendo que “em um esporte coletivo, não dá para jogar sozinho”. O posicionamento foi acompanhado por São Paulo e Palmeiras.

“Sou contra a volta. Só podemos retornar quando as autoridades sanitárias municipais e estaduais liberarem”, reforçou Joaquim Grava, consultor medico do Corinthians, via assessoria de imprensa.

No Rio, Botafogo e Fluminense são contrários à ideia de Flamengo e Vasco. Por isso não retomaram os treinamentos nem têm data programada. Ambos vão reavaliar seus posicionamentos na próxima semana.

O Bahia também não abre mão da segurança dos funcionários e não pretende iniciar as atividades sem aval dos agentes de saúde. Salvador (como mostra a tabela no início do texto) é uma cidade em atenção.

As competições nacionais foram suspensas em 15 de março, período em que todos os clubes da Série A estavam envolvidos em competições estaduais. Ainda sem data para uma retomada, a CBF é a favor de que primeiro sejam concluídos torneios locais para depois iniciar as divisões do Brasileirão e os torneios internacionais.



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396 visitas - Fonte: espn

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