O Corinthians enfrenta dificuldades em se desvincular da proibição de transferências, conhecida como transfer ban, devido a uma dívida com o Santos Laguna relacionada à contratação do zagueiro Félix Torres. A situação é preocupante, não apenas por esta pendência, mas também pela possibilidade de o clube enfrentar outras sanções, que vão além do impedimento de registrar novos jogadores. Se o Corinthians não saldar a dívida ou não conseguir chegar a um acordo com o Santos Laguna, o clube pode sofrer penalidades severas, que incluem a perda de pontos ou até mesmo o rebaixamento.
Apesar das especulações sobre a perda de pontos na atual edição do Campeonato Brasileiro, especialistas apontam que isso não ocorrerá imediatamente. Para que tal punição seja aplicada, o Corinthians precisaria passar por três janelas de transferências sem resolver a situação, seja através do pagamento ou por um acordo. Como esclareceu o advogado Domingos Zainaghi, a punição não é automática. Uma vez que o clube não quite a pendência após esse período, a FIFA notifica a equipe, e caso o prazo não seja atendido, a discussão sobre a perda de pontos poderá ser instaurada. O número de pontos a serem descontados não é previamente determinado, variando de acordo com a análise do Comitê Disciplinar da FIFA.
O rebaixamento, por sua vez, só poderia ocorrer se o Corinthians perdesse pontos e continuasse sem pagar a dívida. Existe também uma possibilidade de exclusão de competições, dependendo das circunstâncias e dos casos apresentados. Um exemplo notório é o do Cruzeiro, que já perdeu pontos devido a uma dívida não resolvida com o Al-Wahda, resultando em uma penalização de seis pontos no início da Série B após o rebaixamento em 2019.
A situação do Corinthians é ainda mais complexa, pois outras três ações legais estão em andamento na Corte Arbitral do Esporte (CAS), que podem resultar em mais sanções ao clube. As condenações já foram emitidas pela FIFA e estão aguardando homologação. As pendências envolvem valores de R$ 40 milhões ao meio-campista Matías Rojas, R$ 6,76 milhões ao Shakhtar Donetsk pelo empréstimo de Maycon, e R$ 23,3 milhões ao Talleres pela contratação de Rodrigo Garro. A pressão é intensificada pela atual diretoria, liderada pelo presidente Osmar Stabile, que está lutando para negociar com os credores.
Recentemente, o Corinthians fez tentativas de acordo com o Santos Laguna, oferecendo 70% do valor da dívida à vista, mas a proposta foi rejeitada, uma vez que os mexicanos exigem o pagamento integral. Em relação ao Talleres, a diretoria alvinegra fez esforços para evitar complicações, mas o clube argentino deixou claro que deseja receber o pagamento com urgência.



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