O Sport Club Corinthians Paulista deu, nesta quinta-feira (5), o passo mais decisivo para evitar o colapso financeiro de sua história centenária. Em negociação conduzida diretamente com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), o clube formalizou um acordo de transação tributária que abateu R$ 521 milhões de uma dívida acumulada por quase 20 anos.
O montante original, que ultrapassava os R$ 1,2 bilhão, foi reduzido para R$ 679 milhões, após a aplicação de descontos de 46,6% sobre juros, multas e encargos legais.
O Raio-X do Parcelamento
A reestruturação permite que o Corinthians quite seus débitos de forma escalonada, respeitando o fluxo de caixa do clube para os próximos dez anos:
Débitos Não Previdenciários (R$ 1 bilhão original): Serão quitados em até 120 parcelas mensais.
Débitos Previdenciários (R$ 200 milhões original): Prazo máximo de 60 parcelas, conforme determina a legislação federal.
FGTS e Caixa: O clube também aderiu ao regime da Caixa Econômica Federal, garantindo 30% de desconto e parcelamento em 60 vezes para o passivo do Fundo de Garantia.
Garantias de Peso: O Parque São Jorge no Acordo
Para assegurar o cumprimento do contrato, o presidente Osmar Stabile ofereceu garantias robustas à União. O Parque São Jorge, sede social do clube avaliada em R$ 602,2 milhões, foi empenhado no acordo, além dos repasses mensais da loteria Timemania.
A PGFN monitorará trimestralmente a regularidade fiscal do clube. Caso o Corinthians atrase as parcelas ou deixe de pagar impostos correntes, o acordo pode ser rescindido, com a perda imediata dos descontos concedidos.
Impacto na Gestão Esportiva
Com a regularização, o Corinthians ganha "oxigênio" para:
Patrocínios Estatais: Retomar a possibilidade de fechar acordos com empresas públicas.
Fair Play Financeiro: Adequar-se às novas exigências da CBF e da CONMEBOL para 2026.
Investimento no Futebol: Embora a dívida bruta total ainda gire em torno de R$ 2,8 bilhões (incluindo o financiamento da Arena e dívidas cíveis), a redução de R$ 200 milhões no orçamento anual prevista para 2026 permite maior agressividade na busca por reforços pedidos por Dorival Júnior.
A homologação deste plano encerra um ciclo de incertezas e penhoras judiciais que assombravam as receitas de bilheteria e direitos de transmissão, permitindo que o foco alvinegro volte a ser, predominantemente, o que acontece dentro das quatro linhas.
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