29/6/2014 08:20

Acréscimos: Mundial vira modelo contra a padronização do Brasileiro

Comissão de Arbitragem da CBF reconhece desafio de mudar comportamento de juízes no nacional. Copa já registrou partida com quase dez minutos de reposição

Os torcedores brasileiros já estão acostumados a ver a plaquinha de acréscimos indicando um minuto (ou nada) para o primeiro tempo e três minutos (ou menos) para o segundo. Para eles, pode ser surpreendente ver na Copa do Mundo, realizada em solo nacional, tempos como cinco ou até seis minutos de acréscimos. O caso mais impressionante foi o de Gana 1 x 2 Estados Unidos, que teve 9m51 de acréscimos, somando-se os dois tempos.

A primeira fase do Mundial teve 27% mais de acréscimos do que as nove rodadas iniciais do Brasileirão: enquanto no nacional os tempos médios foram 1m24 no primeiro tempo e 3m09 no segundo, no torneio de seleções aumentam para 1m50 e 3m57, respectivamente. Não houve na Copa, por exemplo, um jogo - mesmo entre os que nada valiam ou tinham larga vantagem no placar - com um segundo tempo sem acréscimo ou com apenas um minuto (veja na tabela abaixo).


À medida que o tempo de acréscimo aumenta, as chances de bola na rede também crescem. A primeira fase do Mundial teve o mesmo número de gols marcados nos acréscimos (12) que o Brasileirão-2014, apesar de ter quase metade das partidas (48 contra 90). Ou seja, um a cada quatro jogos na Copa teve gol nos acréscimos - enquanto no nacional a média é de um a cada 7,5 jogos. (Veja no vídeo acima os gols marcados nos acréscimos no Mundial.)

O presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, Sérgio Corrêa, reconhece que existe um padrão de acréscimos no futebol nacional, independentemente do que aconteça em campo. E diz que tentará mudar esse quadro quando o Brasileirão for retomado, a partir da décima rodada, em 16 de julho.

- Os árbitros brasileiros são orientados a dar o acréscimo necessário para a recuperação do tempo devido na partida. A gente tem observado uma padronização no tempo dos acréscimos: um a dois minutos no primeiro tempo e três a quatro minutos na segunda etapa. O árbitro não tem que copiar, inventar ou padronizar, mas, sim, recuperar o tempo que efetivamente foi perdido em cada partida. Os árbitros estão assistindo aos jogos da Copa e já foram orientados a evitar esta padronização, mas muitos ainda não estão cumprindo esta determinação. Vamos ver se após a Copa a gente consegue atingir este objetivo - comentou Sérgio Corrêa.

Uma circular foi emitida em fevereiro deste ano pela Comissão de Arbitragem com o objetivo de reforçar junto aos árbitros as principais orientações técnicas, disciplinares e administrativas do Livro de Regras. Uma delas trata exatamente do tempo de reposição, citando a padronização de um minuto para o primeiro tempo e três para o segundo (leia abaixo).



Outra estatística interessante da Copa é que apenas uma partida da fase de grupos (ou seja, 2% do total) não teve tempo de acréscimo na etapa inicial. Aconteceu em Costa Rica 0 x 0 Inglaterra. No Brasileiro, foram 14 partidas - 15% do total. Em alguns casos, mesmo a segunda etapa fica sem tempo de reposição.
Segundo o presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, todos os árbitros conhecem a regra, mas ela não é aplicada ao pé da letra como deveria por causa das diferenças no processo de instrução das federações estaduais.

- É difícil mudar uma cultura, mas estamos avançando. Temos 27 estados e apenas 17 escolas de arbitragem. Foram várias décadas sem que os árbitros recebessem um treinamento, um aperfeiçoamento de forma regular. O que tinha antigamente era uma espécie de teleconferência anual, realizada na sede da Embratel, em que os árbitros de todo o país ficavam sabendo das inovações das regras e recebiam todas as orientações em cerca de duas horas.

Para modificar este cenário, nos últimos seis anos investimos pesado na formação de instrutores e na capacitação dos árbitros, incluindo os aspectos físico e mental. Foram necessários vários anos para chegarmos a uma aproximação de critérios em todo o território nacional para num futuro breve chegarmos a uma uniformidade da arbitragem em todo o pais.


Dos 12 gols marcados nos acréscimos da Copa, três foram após o fim do tempo regulamentar da etapa inicial. E foram nove nos acréscimos da segunda etapa, alguns deles decisivos - como o de Seferovic (aos 47) na vitória da Suíça sobre o Equador; o do Messi (aos 46) na vitória da Argentina sobre o Irã; o de Samaras (aos 47), que garantiu a classificação da Grécia diante de Costa do Marfim; e o de Varela (aos 50), dando uma sobrevida para Portugal contra os Estados Unidos. Messi também fez nos acréscimos contra a Nigéria, só que na primeira etapa. Outro que marcou duas vezes nos acréscimos foi o colombiano James Rodriguez (contra Grécia e Japão).


No Brasileiro, dos 12 gols feitos após os 45 minutos regulamentares, quatro foram no primeiro tempo e oito no segundo (assista aos gols no vídeo ao lado).
Sergio Corrêa não acredita que os árbitros evitem dar minutos a mais temendo reações de jogadores ou torcedores caso saia um gol. O que ele nota é uma certa influência dos mais experientes sobre os mais jovens.

- Não interfere em nada. O que a gente percebe é que os árbitros mais novos tentam acompanhar os mais experientes, criando um acréscimo padrão, que não faz parte da nossa orientação.
A partida que teve o maior tempo de acréscimo na primeira etapa durante a fase de grupos da Copa foi Gana 1 x 2 Estados Unidos (4m54). E o confronto com mais minutos acrescidos na segunda etapa foi Espanha 0 x 2 Chile (6m03).


No Brasileiro, o jogo que teve o acréscimo de maior duração na etapa inicial foi Sport 1 x 4 Corinthians, com 4m09. No segundo tempo, a partida com mais tempo de acréscimo foi Palmeiras 0 x 2 Botafogo, com 5m03.




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