O Corinthians pode virar uma SAF (Sociedade Anônima do Futebol) e ser vendido? Tal pergunta ganhou eco entre torcedores alvinegros e de clubes rivais desde a última segunda-feira, quando a empresa OTB Sports confirmou interesse em intermediar a aquisição do Corinthians por investidores. A partir disso, diversos outros questionamentos foram levantados: qual seria um preço justo do Corinthians ? O que seria necessário para a venda? Qual a probabilidade de esse negócio acontecer? Quais as alternativas para livrar o Timão das dificuldades financeiras que enfrenta? Porém, antes de responder a essas e outras dúvidas é preciso deixar claro: o Corinthians não está à venda e nada indica que isso irá acontecer tão cedo.
Se tem um assunto em que diferentes correntes políticas do Corinthians concordam é sobre SAF. A ideia de vender o clube é rejeitada tanto pelo presidente Augusto Melo quanto por Andrés Sanchez, seu principal antagonista. Na gestão de Duilio Monteiro Alves, encerrada no fim do ano passado, o Corinthians também foi sondado por fundos árabes dispostos a adquirir o clube, mas nem sequer abriu negociações. Para que o Timão tenha um ou mais donos é necessário um longo processo legal, com aprovação em diferentes esferas. Duas delas são internas do clube: por parte do Conselho Deliberativo e dos associados.
A OTB Sports, empresa que faz a gestão de carreira de jogadores de futebol, emitiu nota oficial na última segunda-feira na qual disse ter interesse em intermediar a aquisição do Corinthians por parte de investidores. Os compradores se comprometem a assumir todas as dívidas do Timão ( hoje na casa de R$ 2 bilhões ) e posteriormente vender ações do clube na bolsa de valores. Porém, horas depois de a OTB se manifestar, o clube emitiu comunicado no qual negou ter recebido qualquer contato da empresa e reforçou que não tem interesse nesse tipo de operação.
Cesar Grafietti, economista e sócio da Consultoria Convocados, explica que há diferentes métodos de de "valuation", como é chamado o processo de avaliação de uma empresa ou clube de futebol. São três os principais: Fluxo de caixa descontado, Múltiplos de receitas e Modelo Markham. Grafietti fez suas contas e chegou a uma estimativa de qual seria o preço do Timão atualmente: – No método que desenvolvi para clubes brasileiros, a partir de múltiplos associados à capacidade competitiva, é possível dizer que o Corinthians vale entre R$ 3,5 bilhões e R$ 3,8 bilhões, antes de descontar as dívidas.
Se migrar para o modelo de SAF não está nos planos, quais alternativas restam para o Corinthians sair da crise financeira enfrentada? Atualmente, o Corinthians tem uma dívida de R$ 1,3 bilhão, referente a impostos e despesas com jogadores, clubes e fornecedores, além de R$ 700 mil referentes ao financiamento da Neo Química Arena (que precisa ser quitado até 2041).
O Corinthians pretende fechar ainda este mês um novo patrocinador máster com uma casa de apostas e vê a necessidade de vender pelo menos um jogador nesta janela de transferência.



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