Foi uma classificação com a cara do Corinthians... Do começo do ano.
Sim, a vitória sobre o América-MG nos pênaltis foi sofrida, na raça, com a força da torcida na lotada Neo Química Arena e com diversos atributos bem característicos do Timão. Mas foi também com o esquema tático que melhor encaixou na equipe nessa temporada: o 4-4-2 com um losango no meio.
O Corinthians também teve bons momentos com três zagueiros, como nas duas vitórias sobre o Atlético-MG, e jogando no 4-3-3, esquema mais vezes utilizado por Luxemburgo. Mas, foi no 4-4-2 que esteve mais equilibrada.
Com ele, Róger Guedes fica mais próximo do gol e sem tantas preocupações defensivas. Sem pontas, Fagner fica livre para chegar à linha de fundo. Além disso, Renato Augusto cai pela faixa do campo em que está mais habituado.
Porém, enfim, nota-se a tal evolução que Luxemburgo prega há tanto tempo. Graças a um "achado" do técnico e um bom reforço agregado ao elenco, esse esquema foi potencializado em relação aos tempos de Fernando Lázaro.
Gabriel Moscardo à frente da zaga oferece proteção parecida à de Roni, mas com muito mais qualidade na saída de bola. Conseguirá manter esse nível em jogos grandes, mesmo com só 17 anos? A dúvida persiste, mas ele vem se saindo bem nos primeiros grandes desafios.
Já no outro extremo, Matías Rojas fez estreia empolgante e mostrou que pode representar um diferencial que Adson não conseguiu ser.
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Posicionamento do Corinthians contra o América-MG — Foto: ge.globo
Mais importante que o desenho tático é a atitude dos jogadores. Ainda falta ao Timão ser mais agressivo para recuperar a bola logo após perdê-la e ter mais agilidade para trocar passes e fazer viradas de jogo. O banco de reservas também segue carente de opções que desequilibrem jogos ou até mesmo mantenham o nível dos titulares.
No primeiro tempo diante do América-MG faltou um pouco mais de participação dos dois meio-campistas que ficavam pelos lados: Fausto Vera e Renato Augusto.
Ainda assim, o Corinthians mostrou volume ofensivo maior do que nos últimos jogos, muito graças a bons passes de Rojas, que deixou Yuri Alberto e Róger Guedes em ótimas condições para marcar e quase fez um golaço de muito longe.
A equipe tinha mais posse de bola (fechou o primeiro tempo com 64%), mas não conseguia controlar o jogo porque deixava espaços ao América-MG nos contra-ataques, sobretudo pelo lado direito da defesa, onde Pedrinho dava trabalho.
Se na defesa Fagner tinha trabalho (e até chegou a levar o cartão amarelo, que forçou Luxa a substituí-lo) no apoio ele tinha liberdade para jogar. Logo aos dois minutos do segundo tempo, o lateral cruzou na cabeça de Renato Augusto, que abriu o placar.
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Róger Guedes e Renato Augusto em Corinthians x América-MG — Foto: Marcos Ribolli
Yuri Alberto, que vinha errando muito e já ouvia reclamações da torcida, marcou o segundo após cruzamento de Ruan Oliveira, que entrou no lugar de Fausto.
A classificação parecia encaminhada pela imposição que tinha o Corinthians, mas a partir dali o jogo ficou imprevisível. Benítez marcou para o América-MG aos 24, Róger Guedes voltou a ampliar para o Timão aos 26, e aos 37, Mastriani descontou novamente para os mineiros.
Embora viesse de duas vitórias sem sofrer gols, o Timão ainda carece de maior solidez defensiva.
Mas esta e outras deficiências ficam em segundo plano após uma classificação dessa. O Corinthians não apenas se reergue na temporada e embolsa a gorda premiação de R$ 9 milhões, como fica a quatro jogos de um importante título nacional.
Se conseguir contar com seus principais jogadores nas partidas decisivas que terá pela frente, o clube pode sim sonhar com o título. Só não pode tirar os olhos do Brasileirão, onde a situação segue complicada...
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