14/7/2023 09:01

Justiça nega liberdade a preparador físico do Universitario preso por racismo em jogo do Corinthians

Sebastian Avellino Vargas está preso desde terça-feira após ser visto imitando um macaco a torcedores alvinegros em partida da Sul-Americana

Justiça nega liberdade a preparador físico do Universitario preso por racismo em jogo do Corinthians
Reprodução

O desembargador Roberto Porto, da 4ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo, negou na tarde desta quinta-feira uma liminar ao preparador físico Sebastian Avellino Vargas, do Universitario, do Peru, acusado de racismo, e o manteve preso.

Vargas cumpre prisão preventiva por supostamente ter imitado um macaco a torcedores do Corinthians durante partida entre as duas equipes pela Copa Sul-Americana.

O profissional foi preso em flagrante logo após a partida e, na quarta-feira, após audiência de custódia, teve a prisão preventiva decretada.

Os defensores do preparador físico, que é uruguaio, entraram com habeas corpus para que ele pudesse responder ao processo em liberdade, mas esse pedido foi rejeitado nesta quinta. Vargas está com o passaporte apreendido.

Na decisão, Porto diz que há "fortes indícios de autoria" do crime:

– Não avisto violação à presunção de inocência, mas sim a presença de fortes indícios de autoria e de periculosidade social, em razão da gravidade concreta da conduta imputada ao Paciente – escreveu o desembargador.

O ge procurou os advogados de Vargas, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

Nesta quinta, imagens publicadas em redes sociais mostraram o que seria o momento em que o preparador físico teria imitado um macaco em provocação a torcedores do Corinthians.

Sebastian Avellino Vargas faz gesto racista em direção a corintianos — Foto: Reprodução

Sebastian Avellino Vargas faz gesto racista em direção a corintianos — Foto: Reprodução

Em nota, o Universitario defendeu o profissional e classificou o episódio como "inadmissível, humilhante e ultrajante". O clube também se manifestou contra as autoridades brasileiras.

– Nas últimas horas, a honra de um profissional do nosso clube foi manchada. Sebastián Avellino foi tratado como criminoso no Brasil, passando a noite em uma prisão, o que consideramos um ato inadmissível, humilhante e ultrajante – diz trecho do comunicado.

Preparador físico do Universitario foi detido acusado de ter feito gestos racistas — Foto: Laura Fonseca

Preparador físico do Universitario foi detido acusado de ter feito gestos racistas — Foto: Laura Fonseca

– Repudiamos esse tipo de humilhação por parte das autoridades brasileiras que pretendem, sem nenhuma prova, realizar prisões arbitrárias.

O clube também apresentou sua versão do episódio ocorrido no fim da partida contra o Corinthians.

– Ao longo do jogo um grupo de adeptos da equipe local lançou insultos e cuspiu nos nossos jogadores e equipe técnica. Essas mesmas pessoas que cometeram insultos, ao final do jogo, acusaram o preparador físico de atos discriminatórios. Essa acusação distorcida e subjetiva é a que as autoridades brasileiras validaram como verdadeira, sem direito a réplica, pelo que ordenaram sua prisão e transferência para uma delegacia de São Paulo.

Entenda o caso

O preparador foi detido no fim da noite desta terça-feira, quando dois policiais militares, a poucos minutos do fim da partida, perceberam uma agitação entre torcedores do Corinthians, revoltados com gestos em que Vargas teria imitado um macaco.

Três torcedores corintianos foram ouvidos como testemunhas e fizeram relatos semelhantes, de que o profissional imitou um macaco após recolher materiais esportivos de sua equipe na beira do gramado.

À polícia, Vargas negou o ato. Disse que torcedores cuspiram nele no fim da partida e os questionou sobre isso. Que estava carregando cones embaixo dos braços, não imitando um macaco.

Ele foi indiciado por racismo, crime que prevê pena de um a três anos de prisão.

Preparador físico do Universitario na delegacia — Foto: Laura Fonseca

Preparador físico do Universitario na delegacia — Foto: Laura Fonseca

Em entrevista coletiva após a partida, Jorge Fossati, técnico do Universitario, disse:

– Eu não vi. O conheço e trabalha comigo há 13 anos, desde 2010, é um cara muito respeitoso. Segundo ele me falou, foi mal interpretado seus gestos. Estavam cuspindo e xingando ele, coisas de futebol, infelizmente. Parece que o torcedor pode fazer o que quiser. Se a gente reage, está errado. É assim. Mas também está errado o torcedor do Corinthians e do Universitario se não tiver comportamento adequado para estar no jogo.

– É a única coisa que posso te garantir: é respeitoso para caramba. Vamos ver. Eles disseram que tem câmeras. É o que eu digo na hora do jogo: desde que tem câmera, acabaram as discussões. Se ele errou, infelizmente vai ter que pagar. Espero que não seja nada. E se não errou, bom, estará daqui a pouco conosco.

Torcedores do Corinthians prestam depoimento em delegacia do estádio contra preparador físico do Universitario, do Peu — Foto: Marcelo Braga

Torcedores do Corinthians prestam depoimento em delegacia do estádio contra preparador físico do Universitario, do Peu — Foto: Marcelo Braga



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