11/7/2020 19:10

Nada disso! Conselheiro do Guarani não houve irregularidade em ida de Davó para o Corinthians

Presidente do Conselho Deliberativo, Marcelo Galli afirmou que negociação foi apenas entre atleta e clube e aconteceu antes da penhora do valor

O presidente do Conselho Deliberativo do Guarani, Marcelo Galli, diz acreditar que não houve irregularidades na saída do atacante Matheus Davó do Guarani para o Corinthians. A declaração foi dada ao GloboEsporte.com após uma decisão do juiz Francisco José Blanco Magdalena, da 9ª Vara Cível de Campinas, apontar fraude na negociação.



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Galli, que além de atuar nos bastidores do clube é advogado por formação, explicou que embora o clube ainda não tenha sido notificado e só vá se manifestar oficialmente no processo, viu algumas discrepâncias em relação ao período em que a negociação ocorreu e as decisões apontadas no processo.

- No meu entender, ela se perde na linha do tempo. É entrar com um recurso, porque não é uma decisão final do processo, mas sim uma decisão interlocutória - diz o presidente do Conselho Deliberativo.

A decisão faz parte de um processo que inicialmente determinou a penhora dos direitos econômicos de Matheus Davó como garantia de uma dívida do Guarani de R$ 35 mil com a RDRN Participações e Empreendimentos LTDA - que tem como serviço principal a consultoria em gestão empresarial.

Participação do Corinthians
De acordo com o despacho do magistrado, o Corinthians sabia que os direitos econômicos do jogador estavam penhorados antes de efetuar a contratação e, mesmo assim, insistiu no negócio.

Sobre essa questão, o conselheiro diz que o Guarani não negociou o jogador diretamente com o Corinthians. O Bugre tinha 60% do passe do jogador, mas concordou em vender 40% mediante o pagamento de R$ 700 mil. Segundo Galli, esse acordo foi feito diretamente com Davó, que ficaria responsável pelo valor.

O contrato foi assinado em 10 de setembro de 2019 por todos os membros do Conselho de Administração, estipulando que o pagamento deveria ser feito até o dia 18 de setembro. No dia 17, a quantia foi depositada na conta do programa sócio-torcedor do Guarani.

Galli diz ainda que a penhora só foi determinada no dia 12 de novembro, sendo que o Bugre foi intimado no dia 18 de novembro, portanto, praticamente dois meses depois do valor já ter sido pago integralmente para o clube.

- Quando ele assinou com o Corinthians em janeiro, ele já não tinha contrato com o Guarani. Ele estava cumprindo o final do contrato dele, mas o passe já tinha sido negociado. Não foi uma negociação entre Guarani e Corinthians, foi entre Guarani e o próprio atleta.

Pagamento em conta de terceiros
Na decisão, o magistrado entendeu que o principal indício da fraude é o depósito feito na conta de terceiros. Os R$ 700 mil foram depositados na conta “Sócio Campeão GFC Serviços Aministrativos Eireli", que não pertence diretamente ao Guarani. O programa é gerido por uma empresa à parte do clube, responsável por fazer os repasses dos valores pagos pelos associados.

"Fato bastante incomum e curioso, mesmo porque tal empresa não pode receber valores oriundos da negociação de atletas, por vedação técnica da CBF, cuja intenção, ao que parece, foi desviar o dinheiro para evitar a prestação de contas perante o Conselho Fiscal e Deliberativo do clube", escreveu o juiz.

Em um comprovante bancário obtido pelo GloboEsporte.com, é possível ver o depósito de R$ 700 mil às 12h58 do dia 17 de setembro na conta citada. O documento, no entanto, aponta como depositante "O próprio favorecido" - o que pode indicar que foi feito já pelo clube ou por alguém que preferiu omitir os dados.

De acordo com o presidente do Conselho Deliberativo, no entanto, no mesmo dia esse valor foi transferido da conta do sócio-torcedor para uma oficial do clube, o que afastaria a hipótese de que o depósito havia sido feito para driblar a decisão de penhora.

- No próprio dia 17, o sócio-torcedor já repassou esse valor para o Guarani. No dia 17 também foi quando pediram a penhora no processo, mas o juiz analisou isso no dia 12 de novembro, dois meses depois. E aí mandou penhorar, só que quando ele mandou penhorar, que a notificação chegou no dia 18, a venda e o pagamento já tinham acontecido há mais de dois meses. Então falar sobre fraude, não, quando ele decidiu sobre isso, já tinha acontecido o pagamento havia dois meses - diz Galli.

Passe de Davó
O documento de rescisão de Davó com o Guarani determinou que o Bugre mantinha 20% do passe do jogador. Ficou estipulado ainda que para vendas futuras destes 20% para qualquer que fosse o clube os valores seriam:

• os primeiros 10% por R$ 300 mil.
• mais 5% por R$ 300 mil.
• e os outros 5% ficariam com o Guarani, ainda sem valor estipulado para uma nova venda.

Uma outra cláusula ainda veta Davó de defender a rival Ponte Preta (por empréstimo ou em definitivo) pelo período de três anos.

O atacante assinou com o Corinthians até 2023. À época, o Corinthians não divulgou, mas é certo que ficou com percentual superior aos 50% dos direitos econômicos do jogador de 20 anos, que participou de apenas dois jogos sob o comando de Tiago Nunes e voltou a despertar o interesse do Guarani.

A decisão também coloca que os direitos econômicos transferidos para o Corinthians estão "sujeitos à execução". Segundo especialistas consultados pelo GloboEsporte.com, o despacho não interfere no vínculo esportivo de Davó com o Timão. O efeito prático é que, em eventual venda do Corinthians para outro clube, a empresa RDRN poderá exigir o recebimento da parte a que tem direito.

O que dizem as partes
Segundo Marcello Galli, em duas oportunidades, em 22 de outubro de 2019 e em 27 de fevereiro de 2020, o Conselho de Administração prestou os devidos esclarecimentos sobre a saída de Matheus Davó ao Conselho Deliberativo do clube.

O Guarani também se posicionou sobre o assunto nesta sexta-feira em nota enviada pela assessoria de imprensa:

O Departamento Jurídico do Guarani Futebol Clube ainda não foi notificado sobre a decisão e somente poderá se manifestar nos autos do processo. O Conselho de Administração destaca porém que todos os demais Órgãos internos (Conselhos Deliberativo e Fiscal) acompanham o processo cumprindo todo o rito estatutário – disse a nota.

O Corinthians alegou que "a ação citada, cuja decisão foi proferida em primeira instância, tem como réu o Guarani e está sujeita a série de recursos dentro do processo legal. O departamento jurídico do Corinthians, a quem o atleta se apresentou livre de obrigações contratuais, acompanhará o caso e suas eventuais implicações."



Já o empresário do jogador, Fernando Garcia, não soube explicar o que houve entre atleta e Guarani para que Davó aceitasse pagar o valor de sua multa a uma conta que não pertencia ao Bugre. O agente disse acreditar que seja um problema apenas "entre o Guarani e essa empresa".


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