19/8/2026 18:38
Organizadas do Corinthians cobram intervenção judicial em ato no MP-SP
Organizadas do Corinthians fazem ato no MP-SP e cobram intervenção judicial no clube; inquérito apura rombo bilionário, transfer bans e contratos suspeitos.
A crise institucional e financeira no Parque São Jorge ganhou um capítulo decisivo fora dos gramados e coloca a permanência da atual diretoria totalmente em jogo. Na tarde desta quarta-feira (19), integrantes das seis principais torcidas organizadas do clube — Gaviões da Fiel, Camisa 12, Pavilhão 9, Estopim da Fiel, Coringão Chopp e Fiel Macabra — ocuparam a frente da sede do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), em um ato que cobra rigor e celeridade na análise do pedido de intervenção judicial na instituição.
A mobilização pacífica reage ao colapso administrativo e ao endividamento galopante do Alvinegro. Lideranças das organizadas, entre elas Alê Domenico (Gaviões da Fiel), foram recebidas pelo promotor Luiz Ambra Neto, que conduz o inquérito civil reaberto em maio para apurar a necessidade de afastar a atual gestão. Durante o ato, que teve a presença do ex-jogador Dinei, o grupo interditou o tráfego local e espalhou faixas com gritos de ordem contra os dirigentes, impulsionando a hashtag #IntervençãoJudicialJá ao topo dos assuntos mais comentados na rede social X.
— A necessidade de salvar o clube de um colapso completo nos desafia a buscar socorro nas instâncias públicas. A torcida admite o sofrimento nas arquibancadas, mas a gravidade da situação nos cobra uma atitude firme contra a impunidade. Não há nenhum acordo travado para tolerar essa sangria; viemos apoiar o trabalho do promotor e exigir que os contratos obscuros sejam revelados — dispara o sentimento manifestado nos bastidores do protesto.
O motor da revolta envolve números alarmantes que geram um impasse na sobrevivência do futebol: o balanço oficial de 2025 registrou déficit de R$ 143,4 milhões, empurrando a dívida bruta para a casa dos R$ 2,7 bilhões, além de três transfer bans ativos (dois na Fifa e um na CBF) que bloqueiam o registro de reforços.
Para além do rombo econômico, o inquérito do MP-SP contesta repasses controversos autorizados pela cúpula. As investigações miram pagamentos de R$ 676,6 mil à Mega Assessoria Operacional Ltda. — firma sem aval da Polícia Federal para prestar segurança — e outros R$ 586,9 mil pagos à Bear Security para fazer a proteção pessoal direta do presidente Osmar Stabile com verba do clube.
Cientes de que o avanço do abaixo-assinado "Movimento Libertação Já" pode acelerar uma decisão judicial histórica, torcedores e conselheiros de oposição cobram o desfecho das apurações. O MP-SP confirma que segue analisando os documentos fiscais para definir se aprofunda a ação cautelar de intervenção no Parque São Jorge.
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