15/7/2026 20:08
Justiça torna quatro ex-integrantes do Corinthians réus após suposto desvio de dinheiro
A Justiça tornou réus quatro ex-integrantes do Corinthians por suposto desvio de R$ 7,3 milhões. Bloqueio de bens e retenção de passaportes foram determinados. (159 caracteres)
A cozinha financeira do Parque São Jorge volta a ser alvo de uma rústica tempestade jurídica. A Justiça de São Paulo confirma que aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público (MP-SP) e tornou réus quatro nomes de peso ligados ao cotidiano do Corinthians. A investigação aponta para um suposto esquema de desvios que, corrigido pela inflação, coloca impressionantes R$ 7,3 milhões em jogo. Os fatos ocorreram entre 2018 e 2023, período que abrange os mandatos dos ex-presidentes Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves.
Sem aceitar nenhum acordo travado com a impunidade, a Justiça determinou medidas cautelares asfixiantes para o grupo: bloqueio imediato de bens, apreensão de passaportes e a proibição rústica de frequentar as dependências do clube. O ex-motorista João Odair de Souza, o "Caveira", desafia a tese da promotoria e responderá por apropriação indébita. Já os ex-diretores financeiros Matías Ávila e Wesley Melo, além do ex-gerente Roberto Gavioli, viraram réus por omissão relevante. O MP-SP cobra a responsabilização do trio sob a tese de "cegueira deliberada", alegando que eles ignoraram o dever humano de fiscalizar as contas.
— Se eu tivesse pego essa dinheirama, estaria no sol de Miami, não trabalhando de Uber em Guarulhos. Não roubei ninguém nos meus 16 anos de clube — dispara Caveira, que alega ter usado os R$ 3,4 milhões recebidos em espécie para pagar policiais de folga e seguranças freelancers nos bastidores de protestos e eventos esportivos sem nota fiscal.
Enquanto a defesa de Gavioli clama por absoluta inocência e Ávila admite que a denúncia tem caráter político interno, a promotoria se mexe para garantir que o Corinthians seja ressarcido. O MP-SP exige que Ávila devolva cerca de R$ 6 milhões e Wesley Melo arque com R$ 250 mil. Embora Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves não tenham sido denunciados neste processo específico, o cerco judicial continua respirando perto: ambos seguem investigados pela proximidade com Caveira e enfrentam outro ríspido impasse na Justiça pelo uso de cartões corporativos.
O Corinthians, que tenta blindar o elenco sob o comando de Fernando Diniz em meio à crise financeira de 2026, reage em silêncio institucional enquanto assiste ao desenrolar de mais um capítulo turbulento nos tribunais. Cabe agora aos réus apresentar suas respectivas defesas para tentar desatar o nó de uma acusação que expõe as entranhas contábeis do clube de forma rústica e devastadora.
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