O Corinthians vive um momento de "sincericídio" contábil perante a Justiça. Ao reportar seus débitos ao RCE, a diretoria alvinegra admitiu que a ação movida pela Sports Agency Marketing (SMA) é classificada como uma "perda provável". O caso é um mergulho profundo nos anos 2000: a empresa detinha exclusividade no marketing do clube e cobra comissões sobre patrocínios históricos, como os da Samsung e da Nike, que o clube deixou de pagar sob alegações de irregularidades administrativas na época.
O Nó Contratual e a MSI
A SMA sustenta que o Corinthians rompeu unilateralmente a cláusula de exclusividade quando a MSI (Media Sports Investment) assumiu o futebol do clube em 2005.
A Acusação: A agência afirma que foi escanteada de negociações milionárias e exige sua fatia. Se todos os pedidos fossem aceitos com juros e correções, o valor poderia ultrapassar os R$ 200 milhões.
A Defesa: O Corinthians argumenta que o contrato da SMA era viciado e possuía indícios de favorecimento pessoal a aliados de Alberto Dualib. Além disso, o clube defende que a chegada da MSI alterou a natureza jurídica das propriedades de marketing.
O Estado Atual do Processo
Apesar de o clube ter vencido algumas batalhas parciais ao longo de 15 anos de disputa, uma sentença recente deu o primeiro golpe financeiro:
Condenação Parcial: A Justiça reconheceu que a SMA prestou serviços e fixou um valor base de R$ 8,6 milhões.
Recursos: Ambas as partes apelaram. A SMA usa perícias para tentar elevar o montante para além dos R$ 30 milhões, enquanto o Timão tenta a anulação total da dívida.
Suspensão: Com a troca de relator em janeiro de 2026, o processo está parado, aguardando um novo desfecho que pode impactar severamente o fluxo de caixa alvinegro.
Impacto na Gestão e no Planejamento
Este processo é apenas a ponta do iceberg. O Corinthians acumula cerca de R$ 700 milhões em perdas judiciais classificadas como prováveis. Para a atual diretoria, a estratégia é de "mitigação de danos". A intensidade de investimentos no elenco para a temporada de 2026 depende diretamente de como o clube conseguirá parcelar ou renegociar essas dívidas históricas através do RCE.
O silêncio da diretoria sobre o caso reflete a sensibilidade do tema, que ainda gera debates acalorados entre conselheiros e torcedores sobre a herança administrativa de gestões passadas.
Palavras-chave: Corinthians, SMA, Alberto Dualib, MSI, Processo Judicial, Gestão Financeira, RCE, Marketing Esportivo.