O Corinthians vive um dos capítulos mais tensos de sua história administrativa. O que começou como uma auditoria sobre o uso de cartões corporativos nas gestões de Andrés Sanchez, Duílio Monteiro Alves e Augusto Melo transformou-se em um duelo jurídico de alta voltagem. O promotor Cássio Conserino, responsável pelo Procedimento Investigatório Criminal (PIC), não aceitou os argumentos de Romeu Tuma Júnior para paralisar as apurações da Comissão de Ética e Justiça do clube.
Os Argumentos do Conflito
A paralisia das investigações gerou interpretações opostas:
A Versão do Conselho: Tuma Júnior sustenta que a continuidade dos processos internos poderia violar ordens judiciais sigilosas, especialmente no caso de Andrés Sanchez, que possui restrições de acesso ao Parque São Jorge. O Conselho defende que a suspensão é uma "medida preventiva" para evitar nulidades jurídicas.
A Resposta do MP: Conserino rebateu com dureza, afirmando que "requisição não é convite, é ordem". Para o promotor, as normas do estatuto do clube e a busca por transparência não podem ser freadas por interpretações administrativas que ele classificou como "debochadas e sarcásticas" em ofícios recentes.
Risco de Intervenção e Busca e Apreensão
O cenário evoluiu para medidas extremas:
Intervenção Judicial: O MP encaminhou um despacho à Promotoria do Patrimônio Público para avaliar se o Corinthians ainda possui autonomia para se autogerir ou se uma intervenção judicial é necessária para garantir a preservação de provas.
Busca e Apreensão: Conserino ameaçou solicitar mandados de busca e apreensão dentro do Parque São Jorge para coletar imagens de câmeras de segurança e documentos que, segundo ele, estão sendo sonegados pelo clube.
Tecnologia e Provas: O MP exige acesso imediato a registros telemáticos e oitivas por videoconferência, superando o argumento de que os investigados não podem entrar no clube.
Impacto na Gestão de Elenco e no Futuro
Embora a turbulência ocorra no âmbito social e político, a gestão de elenco e o futebol profissional sentem os reflexos da instabilidade. A atual diretoria executiva, sob pressão, tenta se distanciar do conflito, mas sabe que uma intervenção judicial poderia paralisar as contas do clube e afetar a confiança de investidores e patrocinadores.
A organização tática das defesas jurídicas agora corre contra o relógio. O Ministério Público deu sinais claros de que não recuará, e a expectativa é que novas decisões judiciais sejam proferidas nas próximas 72 horas, definindo se o Corinthians terá seus processos internos reabertos à força ou se caminhará para uma gestão sob tutela do Estado.
Palavras-chave: Corinthians, MP-SP, Cássio Conserino, Romeu Tuma Jr, Cartão Corporativo, Intervenção Judicial, Andrés Sanchez, Parque São Jorge.