Torcedores do Corinthians criticaram a declaração do diretor cultural do clube, Raul Corrêa da Silva, que comparou os torcedores alvinegros a “ladrões” e “vadias”, em declaração dada na terça-feira (11). — É fácil entender o Corinthians. Na maternidade nasceram duas crianças. O menino é ladrão, a menina é uma vadia. Esse é o Corinthians. Então, se você conhece essa estrutura, aí você precisa navegar com isso — disse Corrêa em entrevista ao podcast “Alambrado Alvinegro”. Atual diretor cultural e ex-diretor financeiro do Corinthians, Raul Corrêa se pronunciou na tarde desta quarta-feira (12). — Ontem à noite eu participei de um podcast. Ao responder uma pergunta, fiz uma metáfora sobre o fato dos rótulos preconceituosos que se referem a nós, corinthianos e corinthianas. A intenção era justamente mostrar que eu discordo totalmente dessas visões. Tanto que já em 2007 eu afirmei que acabou esse negócio de “Marginal sem número”, o nosso endereço é rua São Jorge, 777. Sinto muito ter dado margem a esse tipo de interpretação, pois repudio qualquer tipo de preconceito. Estamos juntos e vai, Corinthians — falou, por meio de post em rede social. O Movimento Toda Poderosa Corinthiana criticou as falas do dirigente e afirmou em nota que — essa fala não apenas reproduz estereótipos preconceituosos e misóginos, mas também desrespeita milhões de torcedores e torcedoras. Procurado, o Corinthians informou que “Raul já se manifestou sobre o assunto e não fará mais declarações a respeito”
O Sport Club Corinthians Paulista é um time forjado na luta do povo, na resistência operária e na inclusão. Por isso, repudiamos veementemente as declarações do Diretor Cultural do clube, que, em participação no podcast Alambrado Alvinegro no dia 11/03 proferiu falas ofensivas e discriminatorias ao dizer que "na maternidade se nasce menino é ladrão, e se nasce menina é vadia, esse é o Corinthians." Essa fala não apenas reproduz estereótipos preconceituosos e misóginos, mas também desrespeita milhões de torcedores e torcedoras que, desde a infância, carregam o Corinthians no peito com orgulho, paixão e dignidade. Associar nossa identidade a criminalidade e esvaziar o valor das mulheres dentro do universo corinthiano é inaceitável e contrário à história e aos valores do clube. O Corinthians sempre foi um símbolo de luta popular, de resistência e de inclusão. Foi o primeiro clube a se posicionar contra a ditadura, um dos pioneiros na democracia no futebol e tem uma torcida marcada pela diversidade e força de sua Fiel. As mulheres corinthianas, em especial, sempre estiveram na linha de frente do apoio ao time e na defesa de uma arquibancada mais justa e inclusiva. Exigimos uma retratação imediata e que o clube adote medidas concretas para reforçar seu compromisso com o respeito e a valorização de todos os seus torcedores, independentemente de gênero. A cultura do Corinthians deve ser uma cultura de inclusão, de respeito e de luta contra qualquer forma de preconceito. O Corinthians é do povo. E no povo não cabe discriminação. Augusto Melo e Raul Corrêa na Neo Química Arena (Foto: Reprodução/Instagram/RaulCorreadaSilva)



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