Caso de Polícia, invasão com protestos de torcedores e promessas difíceis de cumprir, como a chegada de quatro reforços de peso para a janela de julho. A bagunça externa no Corinthians presidido por Augusto Melo definitivamente se transportou para dentro do campo. A blindagem de António Oliveira aparentemente se quebrou, e o time parece não ter um norte. Em uma partida decisiva para o momento da temporada, o Corinthians se comportou mal. O excesso de chuveirinhos, indicado desde os 34 minutos do primeiro tempo com a entrada de Pedro Raul, marcou uma noite em que a transpiração resultou apenas em um ponto conquistado. O empate por 1 a 1 contra o Cuiabá, nesta quarta-feira, na Neo Química Arena , reflete um clube desorganizado dentro de campo, sem responder à realidade de pressão de quem se estabeleceu dentro da zona de rebaixamento. O caos fora de campo cada vez se mistura mais com o momento dentro das quatro linhas. O roteiro para a noite de quarta-feira poderia ser de recuperação e alívio, ainda mais pelo empate no fim contra o Athletico-PR na rodada passada. A festa pelos 10 anos da Neo Química Arena agitou mais de 38 mil pessoas, mas a confiança que exalava no estádio durou apenas cinco minutos de partida. Um erro coletivo do sistema defensivo, com direito a indecisão de Matheus Donelli, fez Marllon aproveitar uma brecha para colocar a bola dentro das redes. A desvantagem desencadeou o retorno de uma pressão quase insustentável e bagunçou o Corinthians taticamente, tecnicamente e emocionalmente. Era visível a insegurança nos movimentos de alguns jogadores e a necessidade da busca pelo resultado sem um plano definido. Tanto que António Oliveira tirou o zagueiro Caetano e colocou o centroavante Pedro Raul ainda aos 34 minutos do primeiro tempo. O Timão teoricamente ganhava na bola aérea, porém foi por baixo que criou a (quase única) oportunidade: Garro achou bom passe para Hugo, que exigiu grande defesa de Walter. Era um raro sinal de reação. Conforme o cronômetro avançava, a pressão pela derrota (e futuro da comissão técnica) crescia. O gol de empate só veio na base do abafa, na transpiração, e não na inspiração. Aos 39 minutos da etapa final, Pedro Raul ganhou rara disputa no pivô, forçou a jogada e viu a bola sobrar na medida para Matheus Bidu estufar as redes e evitar a derrota do Corinthians . Há entrega, dedicação e suor. Tanto de António Oliveira quanto dos jogadores. Porém, faltam organização e paciência para encarar o mau momento. São oito rodadas sem vitórias e apenas um triunfo em 12 partidas de Campeonato Brasileiro. A situação pode não ser desesperadora, mas é bastante incômoda para uma equipe que investiu mais de R$ 100 milhões em contratações. É pouco para a instituição, que ruma para um ano complicado. O Corinthians não tem um norte no momento, nem dentro, muito menos fora das quatro linhas do gramado.



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