Palmeiras e Corinthians se enfrentam neste sábado, às 19h (de Brasília), em clássico válido pela terceira rodada do Campeonato Brasileiro, na Arena Barueri (clique aqui para acompanhar). Os arquirrivais de São Paulo têm em comum o fato de serem comandados por técnicos portugueses.
No lado palmeirense, Abel Ferreira já está consolidado como um dos grandes nomes da história após cinco títulos conquistados em um ano e meio de trabalho – neste Brasileirão, porém, ainda não venceu. Vítor Pereira, por sua vez, está há pouco menos de dois meses no Corinthians e busca a terceira vitória em três jogos no campeonato nacional.
Do outro do oceano Atlântico, o Dérbi vai movimentar pessoas em duas cidades pequenas no norte de Portugal, próximas ao Porto: Penafiel e Espinho. São os lugares em que nasceram Abel e Vítor, respectivamente, e a reportagem do ge esteve neles para contar as origens dos dois treinadores.
Penafiel
A região de Penafiel em que Abel cresceu hoje tem apenas 15 mil habitantes, sendo que a área urbana completa tem 70 mil pessoas. Ao caminhar pelo centro e até no trânsito, os moradores da região se cumprimentam com uma proximidade rara de se ver em lugares como São Paulo.
O comandante do Verdão nasceu na cidade, que ainda hoje abriga familiares, incluindo pais e tios. A casa em que moram sua esposa e filhas é muito próxima dali, mas oficialmente fica em Meinedo, parte do município de Lousada, vizinho de Penafiel.
Foi lá que Abel Ferreira começou a jogar, pelo FC Penafiel, como o ge contou em matéria na última sexta-feira. O clube está na segunda divisão do futebol português e prepara a construção de um novo centro da treinamentos na região.
Além de familiares e ex-companheiros de clube, o treinador ainda tem na cidade o grupo de cinco amigos de infância: Miguel Tika, André Arrifana, Carlos Manoel e Miguel 33, que é chamado assim por ter nascido na Rua 33, onde Abel viveu sua infância, também.

Vista de Penafiel, em Portugal — Foto: Thiago Ferri
O comandante do Verdão ainda vai à cidade quando está de férias e recebeu no último ano o título de cidadão honorário. Suas passagens pela região, porém, são cada vez mais privativas.
Abel já era uma pessoa muito reservada, assim como sua família, e esta característica apenas se acentuou diante do crescente sucesso fora de Penafiel.
Espinho
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Espinho, em Portugal, berço de Vítor Pereira, do Corinthians — Foto: Thiago Ferri
Vítor Pereira nasceu em Espinho, uma cidade litorânea em Portugal e ainda menor do que Penafiel, com 31 mil moradores em todo o município, e 10 mil na área mais movimentada.
Enquanto na cidade de Abel a rua em que viveu passou por muitas mudanças, inclusive com a construção de uma casa no local onde jogava bola, em Espinho ainda há muito da infância do técnico do Corinthians.
Um exemplo é a casa dos seus avós, onde passava boa parte dos dias jogando bola na rua em frente. Parte dos vizinhos daquela época também permanece no local, assim como o trio de amigos que leva até hoje: Paulo Adriano Cagarola, Rui Tareco e Beto Capela.
Formado em Educação Física, assim como Abel, Vítor chegou a dar aulas em um colégio na região até se fixar na carreira de treinador em 2008, quando assumiu o Santa Clara, em Açores.
A esposa e os três filhos ainda são moradores de Espinho, já que apenas o treinador se mudou para o Brasil após o acerto com o Corinthians.
Uma das grandes mudanças da cidade portuguesa em relação ao início da carreira do treinador está no fim do estádio do SC Espinho, clube comandado por Vítor Pereira de 2005 a 2007.
O local foi vendido para a construção de prédios e hoje há apenas o que restou dos muros do estádio. A arquibancada já foi derrubada e não há mais gramado. Um novo campo está sendo construído na cidade, e enquanto isso o SC Espinho aluga um estádio para jogar. A equipe tem pouca expressão no país.