Corinthians negocia transferência de nome do estádio para a Caixa Econômica Federal
Corinthians formaliza proposta para transferir os naming rights da Neo Química Arena à Caixa e liquidar a dívida do estádio, estimada em R$ 630 milhões.
A cúpula do Corinthians resolveu agir com agressividade nos bastidores de Brasília para se livrar do seu maior pesadelo financeiro. O clube formalizou uma proposta audaciosa à Caixa Econômica Federal para repassar a exploração dos naming rights da Neo Química Arena ao banco estatal, em uma engenharia financeira desenhada para zerar de vez o débito do estádio, hoje avaliado em cerca de R$ 630 milhões. O caso já está na mesa do Conselho Diretor da instituição, que deve analisar a viabilidade da transação nos próximos dias.
A investida institucional foi liderada pelo presidente Osmar Stabile, ao lado do diretor jurídico Pedro Soares e do diretor cultural Rafael Castilho, que desembarcaram na sede da Caixa para detalhar o projeto. O saldo da conversa foi visto com otimismo pela diretoria corinthiana, que enxerga uma janela real para estancar a sangria que paralisa os investimentos do futebol profissional.
Pelo desenho do negócio, a Caixa assumiria a propriedade dos direitos de nome do estádio de Itaquera — hoje atrelados à Hypera Pharma, em acordo firmado em 2020. O valor total dessa cessão comercial seria abatido diretamente na liquidação integral da dívida.
Para tornar a proposta ainda mais atraente ao banco público, o Corinthians montou um pacote de contrapartidas corporativas:
Migração das contas correntes e de toda a folha de pagamentos do clube para a Caixa;
Lançamento de títulos de capitalização voltados para a torcida;
Emissão de cartões de débito e crédito exclusivos integrados ao Fiel Torcedor.
Na mesa de negociações, o clube cobra uma devolução imediata: o resgate de R$ 27 milhões retidos em uma conta reserva de garantia, exigência do termo de repactuação firmado em 2022. Como as parcelas estão em dia, a diretoria alvinegra quer usar o recurso para recompor o fluxo de caixa imediato do dia a dia.
Para evitar um atrito comercial com a Hypera Pharma, o Corinthians planeja oferecer à empresa os naming rights de outros ativos do patrimônio alvinegro, a começar pelo centro de treinamento Joaquim Grava.
A fatura do estádio pesa: o passivo com a Caixa responde por 22,5% do endividamento geral da agremiação, que atinge a marca de R$ 2,7 bilhões. O contrato assinado em 2022 prevê juros de 2% ao ano mais variação do CDI, com prazo final fixado apenas para dezembro de 2041. Tratada como urgência máxima por Osmar Stabile, a operação é vista internamente como a única cartada capaz de livrar o Corinthians do estrangulamento financeiro e garantir estabilidade para as próximas décadas.
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