Impacto bilionário: clubes paulistas se reúnem na FPF após veto às bets
Medida provisória suspende casas de apostas no Brasil e Corinthians prevê prejuízo de R$ 480 milhões. Clubes paulistas e governo discutem saídas para o set
Um terremoto financeiro atingiu em cheio o futebol brasileiro nesta segunda-feira (28). Representantes dos principais clubes de São Paulo estiveram na sede da Federação Paulista de Futebol (FPF) para abrir conversas de emergência após a assinatura da medida provisória do Governo Federal que suspende a atuação das casas de apostas no país.
O caso acendeu o sinal de alerta máximo no Parque São Jorge. Com a decisão, o Corinthians já calcula como quase certa uma perda imediata de pelo menos R$ 480 milhões referentes ao acordo com a Esportes da Sorte, patrocinadora máster do time desde 2024. Pelo Timão, marcaram presença no encontro a cúpula de comunicação, o vice de marketing Vinicius Manfredi e o advogado Luis Felipe Santoro.
Apesar de o rombo nas camisas dos gigantes ser estrondoso, a maior preocupação nos bastidores da FPF recai sobre os times do interior e divisões menores, que dependem diretamente das receitas de publicidade do setor para fechar a folha salarial mês a mês.
Assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o texto estabelece que as operadoras devolvam os valores retidos nas contas dos usuários até as 23h59 do dia 5 de outubro. A partir do primeiro minuto do dia 6, qualquer site ou app terá o sinal cortado e a operação será considerada clandestina no território nacional.
A disputa, contudo, já chegou aos tribunais. A Advocacia-Geral da União (AGU) acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para cobrar manifestações das entidades do setor — como a ANJL e o IBJR —, que contestam a MP alegando falta de urgência e ausência de cálculo do rombo econômico provocado pela proibição abrupta. A medida tem força de lei imediata, mas precisará do crivo do Congresso em até 120 dias.
Com a crise instalada, o Governo Federal convocou federações e dirigentes para uma reunião às pressas nesta terça-feira, no Palácio do Planalto. O encontro terá a presença dos ministros Dario Durigan (Fazenda), Paulo Henrique Cordeiro (Esporte), Bruno Moretti (Planejamento) e Sidônio Palmeira (Secom). Em pauta, uma tábua de salvação: a equipe econômica avalia abrir uma linha de crédito emergencial para impedir um colapso financeiro nos cofres dos clubes.
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