Corinthians tenta repassar naming rights da Arena à Caixa para quitar dívida histórica
Corinthians propõe transferir naming rights da Arena para a Caixa por R$ 70 mi anuais e quitar dívida de R$ 630 milhões. Entenda os bastidores da negociaçã
Com um passivo asfixiante de R$ 2,8 bilhões nas costas, a cúpula do Corinthians abriu uma ofensiva pesada em Brasília para tentar resolver o maior pesadelo financeiro de sua história recente: os R$ 630 milhões devidos à Caixa Econômica Federal pela construção da Neo Química Arena. A pendência, que consome 22,5% de todo o endividamento do clube, foi o tema central de um plano levado pelo presidente Osmar Stabile diretamente ao Conselho Diretor do banco estatal.
A principal cartada na mesa envolve a transferência imediata dos naming rights do estádio. Hoje atrelada à Hypera Pharma por cerca de R$ 15 milhões por temporada, a marca na fachada da Arena seria cedida à Caixa com uma valorização expressiva projetada pela diretoria: cifras em torno de R$ 70 milhões ao ano, inteiramente direcionadas para liquidar as parcelas do financiamento. O pacote inclui ainda a centralização de contas operacionais do clube no banco público e o lançamento de títulos de capitalização com a torcida alvinegra.
Nos bastidores do encontro, a diretoria alvinegra também foi incisiva ao cobrar o desbloqueio de R$ 27 milhões retidos em uma conta reserva desde o acordo firmado em 2022. Sob o argumento de que cumpre rigorosamente as parcelas em dia, o Timão exige o repasse imediato dos valores para oxigenar o fluxo de caixa do departamento de futebol. O plano também solicita a pausa na cobrança dos próximos vencimentos enquanto a proposta global é analisada tecnicamente pela instituição financeira.
O movimento ocorre em momento delicado na política interna. Com eleições presidenciais no Parque São Jorge marcadas para 28 de novembro, opositores tratam a promessa como manobra eleitoreira para produzir fato positivo antes das urnas. Stabile, em contrapartida, sustenta que a articulação política avançou etapas decisivas e que a engenharia financeira é a única via para salvar o clube da asfixia.
Procurada, a Caixa declarou que não comenta tratativas sob sigilo bancário. Desde a entrega do estádio em 2014, o Corinthians já desembolsou mais de R$ 600 milhões sem conseguir amortizar de forma efetiva o saldo principal, limitado a rolar juros de 2% ao ano mais variação do CDI. A renegociação vigente, assinada ainda na gestão de Duilio Monteiro Alves, prevê uma escalada abrupta de amortizações a partir de 2025 com término previsto apenas para 2041 — uma bomba-relógio que o clube agora tenta desarmar em Brasília.
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