Corinthians divulga balancete com déficit milionário e enfrenta crise financeira jamais vista
Corinthians divulga balancete com déficit de R$ 278,7 milhões até julho de 2026. Rombo estoura previsão após despesas extras e mercado travado de vendas.
O estrago financeiro nos bastidores do Parque São Jorge é muito mais profundo do que a diretoria previa para o exercício de 2026. Em balancete oficial fechado até o dia 31 de julho, o Corinthians escancarou um déficit acumulado assombroso de R$ 278,7 milhões nos primeiros sete meses do ano. O dado não apenas consolida um salto negativo de R$ 32,6 milhões em relação ao saldo divulgado em junho (quando o buraco era de R$ 246 milhões), como faz ruir por completo o planejamento da cúpula alvinegra, que estimava fechar o ciclo com um prejuízo controlado em R$ 77,9 milhões.
A justificativa contábil apresentada pelo clube aponta para um combo de despesas imprevistas e passivos que cobraram a conta antes da hora. Somente em premiações retroativas pela campanha finalista na Copa do Brasil de 2025, o departamento financeiro precisou desembolsar R$ 32,5 milhões. Outra sangria veio de tributos cambiais: foram R$ 6,1 milhões gastos apenas com impostos atrelados à variação de moeda na compra do zagueiro equatoriano Félix Torres. Para completar o quadro, o balanço registrou R$ 16,3 milhões em revisões e contingências judiciais, minando qualquer fôlego de curto prazo.
Mas o grande vilão do fluxo de caixa esteve fora do campo de despesas: foi a paralisia quase total nas receitas de transferências. A meta orçamentária do Timão previa a arrecadação de 12,5 milhões de euros (cerca de R$ 75 milhões na cotação média) com a venda de promessas da base até março. A janela internacional do meio do ano, contudo, fechou sem que as saídas negociadas de nomes como o volante Breno Bidon, o atacante Gui Negão e o meio-campista André fossem sacramentadas.
O diretor de futebol, Marcelo Paz, admitiu que a decisão política do presidente de barrar a venda de André para preservar a competitividade esportiva comprometeu as entradas imediatas, embora a diretoria ainda aposte em transferências pontuais até o réveillon para evitar um fechamento de ano trágico.
Com as contas no limite da corda e a obrigação de cobrir o rombo antes da prestação de contas aos órgãos de fiscalização interna, a ordem no CT Joaquim Grava é acelerar a valorização dos principais ativos do elenco. A expectativa de convocações internacionais para inflar as cotações de mercado virou necessidade de sobrevivência: para estancar a hemorragia contábil, o Corinthians terá de vender atletas na próxima janela, mesmo sob o risco de abrir mão do potencial técnico dos seus jovens talentos.
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