O Corinthians passa por uma crise interna após a suspensão de Mario Mello Junior, conselheiro do clube, por seis meses. A sanção foi imposta em resposta à invasão do quinto andar do Parque São Jorge durante uma tentativa de reconstituição de poder por parte do ex-presidente Augusto Melo, ocorrida em maio de 2025.
A Comissão de Ética do clube havia recomendado a expulsão de Mello Junior, no entanto, o Conselho Deliberativo decidiu por uma punição menos severa. Essa escolha ocorre em meio a um clima de tensão e divisão entre os conselheiros, com receios de que esse enredo possa criar precedentes que permitam a outros associados ou ex-presidentes contestarem suas punições na Justiça.
Durante a mesma reunião que resultou na suspensão de Mello Junior, outros membros do Conselho também enfrentaram severas sanções. Consagrados conselheiros, como Maria Angela, Paulo Juricic e Ronaldo Fernandez Tomé, já tinham perdido seus mandatos devido ao envolvimento no mesmo incidente. A complexidade da situação é ampliada por diferentes interpretações sobre o devido processo disciplinar.
O presidente do Conselho, Romeu Tuma Júnior, ressaltou que Mello Junior reconheceu sua participação na invasão e estava disposto a aceitar a pena. Porém, o vice-presidente, Leonardo Pantaleão, manifestou divergência, pedindo um foco mais rigoroso sobre a conduta dos conselheiros no julgamento, especialmente em comparação a outros casos anteriores que resultaram em expulsões.
A reunião também resultou na expulsão de Manoel Ramos Evangelista, conhecido como Mané da Carne, e Marcelo Mariano. Ambos haviam solicitado uma análise prévia sobre a possibilidade de suspensão, mas seus pedidos foram negados. A expulsão de Mané da Carne foi relacionada a ameaças e a denúncias de racismo, enquanto Marcelo Mariano enfrentou problemas devido a uma investigação ligada ao caso VaiDeBet.
Essas medidas refletem um momento crítico no Corinthians, onde a gestão interna e a ética organizacional são colocadas à prova. A alta frequência de punições sugere um esforço da diretoria para consolidar um framework disciplinar que preserve a integridade do clube em um ambiente cada vez mais conturbado.
Em meio a um cenário de instabilidade, a diretoria deve encontrar formas de restabelecer a unidade interna. O grande desafio será equacionar as tensões entre conselheiros, associados e a própria torcida, ao mesmo tempo em que trabalham para melhorar o desempenho do time dentro de campo, onde a pressão por resultados positivos é imensa.
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