30/7/2026 18:01
Corinthians paga quase 7 milhões em sorteios mas não sabe se eles realmente aconteceram
O Corinthians pagou R$ 6,9 milhões por sorteios do Fiel da Sorte que deixaram de ser divulgados há dois anos. O clube rescindiu o contrato e pede indenização.
A gestão do Parque São Jorge abriu uma investigação profunda nos bastidores financeiros do clube e coloca a responsabilidade de ex-dirigentes totalmente em jogo. O Corinthians confirma que acionou a Justiça para rescindir o contrato com a empresa Incentiva Serviços Combinados e exigir R$ 3 milhões em indenização. A medida reage ao descobrimento de que o clube repassou R$ 6,9 milhões ao longo de três anos para manter o programa de raspadinhas "Fiel da Sorte", embora os sorteios e divulgações estivessem abandonados pelas mídias oficiais desde abril de 2024.
A sangria nos cofres contesta a política de austeridade pregada recentemente. O Corinthians admite que vinha pagando parcelas mensais que saltaram de R$ 124 mil em 2023 para mais de R$ 343 mil em 2026, repassando uma taxa fixa de R$ 3,75 por cada novo sócio do Fiel Torcedor. O montante continuava a sair do caixa mesmo durante um ríspido impasse: a licença governamental da empresa para realizar os sorteios estava vencida desde setembro de 2024.
— A necessidade de estancar sangrias nos desafia a auditarmos contratos herdados. A diretoria admite que os pagamentos eram honrados enquanto despesas prioritárias atrasavam, e o Conselho nos cobra respostas. Não há nenhum acordo travado para blindar suspeitas de serviços não prestados — dispara uma fonte ligada aos bastidores da gestão de Osmar Stabile.
A transação atravessou três administrações: começou sob a gestão de Duilio Monteiro Alves, seguiu no mandato de Augusto Melo — que nega conhecimento do contrato — e continuou sendo paga até abril deste ano por Osmar Stabile. O ex-presidente Duilio contesta irregularidades, afirmando que a parceria buscava atrair receitas e que os planos do Fiel Digital exigiam a aprovação governamental prévia.
Do outro lado, a Incentiva admite surpresa com a ruptura unilateral, mas dispara que a responsabilidade de divulgar a campanha e obter assinaturas para renovar as autorizações cabia ao próprio clube.
Diante das incoerências sobre a efetiva entrega dos prêmios aos torcedores, o Corinthians confirma que avalia pedir uma perícia judicial. A comissão jurídica cobra o ressarcimento dos valores e tenta blindar o clube do escândalo que balança o Parque São Jorge em 2026.
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