A instabilidade no cenário político do Sport Club Corinthians Paulista teve um novo desdobramento significativo. Nesta terça-feira, o Tribunal de Justiça de São Paulo suspendeu a Assembleia Geral de associados, que estava marcada para o próximo sábado, dia 20 de junho. O foco da assembleia seria a votação de uma proposta de reforma do Estatuto Social do clube, uma questão que gera intensas discussões nos bastidores da gestão dos associados.
A liminar foi concedida pelo desembargador Mauricio Campos da Silva Velho, da 4ª Câmara de Direito Privado, após um Agravo de Instrumento apresentado por três conselheiros vitalícios, que questionam a regularidade dos procedimentos referentes ao projeto de reforma. Os autores da ação argumentam que o processo se afastou das normas estatutárias do Corinthians.
No seu despacho, o magistrado apontou a existência de indícios de descumprimento das regras internas do clube, especialmente relacionadas ao artigo 97 do Estatuto, que atribui exclusivamente ao Conselho de Orientação (Cori) a responsabilidade de propor mudanças no regulamento. Essa determinação coloca em xeque os planos da atual diretoria para a realização da votação e para a possível atualização das normas internas.
Os conselheiros afirmam que, até o momento da votação realizada em novembro de 2025, não existia um texto formal ou um anteprojeto definido, sustentando que a aprovação se resumiu a um reconhecimento genérico da conveniência de uma reforma. Além disso, alegam que o Cori havia rejeitado a proposta antes da análise pelo Conselho Deliberativo, o que compromete toda a discussão sobre a reforma do Estatuto.
O embate jurídico a respeito do Estatuto do Corinthians se arrasta desde o início do ano e já resultou em decisões contraditórias. A primeira convocação para debater a reforma foi cancelada em abril, em virtude de uma liminar. Apesar disso, a nova convocação foi realizada, levando à atual suspensão da Assembleia, demonstrando a complexidade da gestão interna do clube.
Além disso, um recente entendimento judicial havia garantido o direito de voto a associados com menos de cinco anos de vínculo, sublinhando a necessidade de uma solução que contemple os interesses de todos os membros do clube. Entretanto, a decisão do Tribunal de Justiça impõe uma paralisação indefinida a qualquer movimento em direção à reforma do Estatuto até que o mérito da ação seja analisado.
234 visitas - Fonte: Tudo Timão