O Corinthians de 2026 segue lidando com os fantasmas administrativos de anos anteriores. A investigação conduzida pelo promotor Cássio Conserino coloca sob a lupa retiradas de dinheiro vivo que variam de pequenos valores a montantes vultosos, como um saque único de R$ 129,3 mil em outubro de 2023. A falta de recibos oficiais e notas fiscais é o ponto central da suspeita, sugerindo uma fragilidade no controle interno da gestão financeira que perdurou por cinco anos. O caso ganhou tração após revelações de que outros funcionários, como o ex-motorista de Duilio, também teriam recebido quantias milionárias de forma semelhante.
A Defesa de "Caveira": Freelancers e Gorjetas
Em resposta às acusações, João Odair de Souza, o Caveira, apresentou seus argumentos para a ausência de documentação:
Segurança de Eventos: Segundo ele, o dinheiro era usado para pagar "freelancers" em jogos de basquete, vôlei e eventos sociais. Caveira alega que contratar diretamente era mais barato que usar empresas de vigilância.
Policiais Militares: O ex-chefe afirma que muitos dos contratados eram PMs em horário de folga, que, por questões legais, não emitem nota fiscal ou ordem de serviço.
Gastos Pessoais dos Presidentes: Caveira admitiu que o dinheiro também era utilizado para despesas miúdas e gorjetas enquanto servia pessoalmente a Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves.
O Impacto Político e Jurídico no Timão
A investigação do MP traz uma nova camada de pressão sobre a atual diretoria e os conselhos do clube:
Conselho Fiscal sob Suspeita: Caveira afirma que suas contas nunca foram contestadas pelo órgão, o que levanta questionamentos sobre a eficácia da fiscalização interna nos últimos anos.
Suspeita de Empresas de Fachada: O MP apura se o uso de dinheiro em espécie era uma estratégia para ocultar o desvio de recursos através de empresas que não prestavam serviços reais ao clube.
Ambiente de Crise: Enquanto o time de Dorival Júnior busca estabilidade em campo, os bastidores continuam inflamados por auditorias e inquéritos que podem resultar em punições severas aos ex-mandatários.
Até o momento, as defesas de Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves não se manifestaram oficialmente sobre os novos dados da planilha. O Corinthians, por sua vez, segue colaborando com o Ministério Público enviando os documentos solicitados. Para a Fiel Torcida, o caso reforça a necessidade de uma organização tática administrativa tão rigorosa quanto a exigida dentro das quatro linhas, visando a transparência total de um clube que tenta se reerguer financeiramente em 2026.