A dívida do estádio do Corinthians, que se iniciou em torno de R$ 400 milhões, hoje, mais de uma década depois, se aproxima de R$ 700 milhões. Este aumento, embora alarmante, não é exclusivo ao Corinthians, mas reflete um padrão comum em operações de longo prazo, frequentemente impactadas por crises econômicas, inadimplência e renegociações sucessivas.
Recentemente, foram divulgados os termos do contrato estabelecido entre o Corinthians e a Caixa Econômica Federal para a quitação da Neo Química Arena, um acordo realizado durante a gestão de Duilio Monteiro Alves. O contrato concede ao banco estatal poder sobre as receitas do clube, incluindo premiações e bilheteiras, o que gerou descontentamento entre os torcedores. O economista Marcelo Aoki, sócio do Grupo Catálise, que se especializa em gestão e estruturação de fundos de investimento, discutiu como esse modelo de operação é percebido pelo mercado financeiro.
O contrato original foi assinado em 2013 e previu um crédito bancário que poderia alcançar até R$ 400 milhões, limitando-se a 75% do custo total da obra. A primeira renegociação ocorreu após o escândalo da operação Lava Jato. Inicialmente, o clube tinha dívidas com a Odebrecht e a Caixa, mas, devido a problemas de corrupção enfrentados pela construtora — que esteve envolvida na construção da arena para a Copa do Mundo de 2014 —, o Corinthians se tornou o único responsável pela dívida do estádio, que agora incluía a antiga obrigação do BNDES com a Odebrecht.
O financiamento começou a basear-se na taxa Selic, acrescida de 2% ao ano, durante um período caracterizado por grande instabilidade financeira. Aoki destacou que, ao longo dos anos, tanto o Corinthians quanto o Brasil enfrentaram diversas crises econômicas, levando a múltiplas renegociações. Essa situação resultou no aumento da dívida original de R$ 400 milhões para os atuais R$ 700 milhões, em parte devido a multas, novos juros e reprocessamento de prazos.
O Corinthians ficou inadimplente de 2013 a 2019 enquanto buscava renegociar a dívida, e esse período sem pagamentos, aliado à volatilidade econômica, elevou os custos da operação. A Selic, taxa básica de juros da economia brasileira, apresentou grandes oscilações, atingindo 14% em 2014 e caindo para 2% em 2020. Aoki observou que essas flutuações, como a crise do governo Dilma e a queda abrupta durante a pandemia, afetaram diretamente a capacidade de pagamento do clube.
Atualmente, a taxa aplicada ao contrato é a Selic mais 2% ao ano. Apesar de considerada elevada no cenário atual, Aoki considera que essa taxa está bastante alinhada com o mercado para operações de risco semelhante. Entretanto, o que realmente pesa é a própria Selic. Além disso, um ponto crítico do contrato é o elevado número de garantias exigidas pela Caixa, que inclui a cessão de receitas e mecanismos de bloqueio de contas. Por exemplo, a Caixa bloqueou parte da premiação do título da Copa do Brasil, avaliada em R$ 77 milhões, para uma conta reservada ao pagamento da dívida.
O acordo também estabelece que qualquer eventual Sociedade Anônima do Futebol (SAF) só pode ser criada com a concordância do banco. Aoki explicou que, inicialmente, as operações de financiamento do estádio não possuíam tantas restrições, mas com as renegociações, o credor começou a exigir mais garantias como forma de proteção. Assim, o credor pode ter poder de veto sobre decisões estratégicas do clube, especialmente em relação a SAFs ou recuperação judicial.
A análise de Aoki sugere que uma maneira para o Corinthians ter maior margem para renegociar cláusulas rigorosas é por meio da redução do risco percebido pelo credor, o que envolve necessariamente o aumento das receitas ou a antecipação de pagamentos. Ao aumentar a receita, o clube gera mais caixa, o que permite uma amortização mais forte da dívida, criando um espaço para renegociações menos rigorosas.
A raiz de todo o dilema financeiro do Corinthians está no projeto original do estádio, que foi considerado excessivamente ambicioso em relação à capacidade de geração de receitas do clube na época. A obra, planejada para a Copa de 2014, comprometeu o fluxo de caixa da equipe e se tornou a fonte das dificuldades financeiras que o clube enfrenta até hoje. Aoki ressaltou que, ao contrário de clubes como Flamengo e Palmeiras, que são bem geridos, o Corinthians teve problemas significativos em sua gestão financeira devido ao custo elevado da construção do seu estádio, que se tornou insustentável em tempos de crise.



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