O Conselho Deliberativo do Corinthians reprovou, nesta segunda-feira (28), as contas do clube relativas ao exercício de 2024. A decisão, tomada em reunião no Parque São Jorge, seguiu o parecer do Conselho de Orientação e Fiscalização (CORI), que apontou irregularidades financeiras, atraso na entrega de documentos, falta de transparência e um aumento expressivo do passivo. Procurado pela reportagem, o presidente Augusto Melo ainda não se manifestou até o momento; a matéria será atualizada assim que houver resposta. Segundo o CORI, a dívida do Corinthians cresceu R$ 829 milhões em comparação a 2023, alcançando um nível próximo ao faturamento anual, que superou R$ 1 bilhão. O placar da votação no Conselho foi de 130 votos pela reprovação, 73 pela aprovação e seis abstenções. Antes do CORI, o Conselho Fiscal já havia recomendado a rejeição das contas.
A atual gestão apresentou dados contestando o relatório do CORI. Segundo a gestão de Augusto Melo, a dívida total ao fim de 2024 foi de R$ 1,869 bilhão, dos quais R$ 1,201 bilhão correspondem ao clube e R$ 668 milhões à Neo Química Arena. A diretoria argumenta que parte do endividamento é consequência de aproximadamente R$ 190 milhões em dívidas herdadas de administrações anteriores e que o crescimento é proporcional à estrutura patrimonial do clube. A gestão também rebateu o número de R$ 829 milhões de aumento, alegando que muitos dos valores já existiam em exercícios passados ou se referem a ajustes gerenciais previstos.
O relatório do CORI, no entanto, enumerou falhas como a ausência de balancetes mensais, falta de atualização orçamentária e não atendimento a ofícios que solicitavam documentos e esclarecimentos. Foram destacados problemas como o gasto de R$ 4,8 milhões com cartões de crédito sem detalhamento, o lançamento das arrecadações da torcida para pagar a arena como receita do clube e a falta de transparência nos contratos com patrocinadores como VaideBet e Pixbet.
Apesar do crescimento da receita, que ultrapassou R$ 1 bilhão, o relatório apontou que o Corinthians não conseguiu conter o aumento das despesas. As despesas financeiras subiram em mais de R$ 140 milhões e os gastos operacionais com o futebol aumentaram mais de R$ 80 milhões. A pressão política interna cresce, e a reprovação das contas pode embasar futuros pedidos de impeachment contra Augusto Melo ou fortalecer processos que já aguardam votação.



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