Membros da Gaviões da Fiel, principal torcida organizada, se reuniram com Augusto Melo, presidente do Corinthians , na noite desta terça-feira, no prédio administrativo do clube, no Parque São Jorge, e o tom foi de cobrança e ameaça, conforme apuração da Gazeta Esportiva. Na reunião com Augusto, estiveram presentes dois ex-presidentes da Gaviões da Fiel: Douglas Deungaro, conhecido como Metaleiro, e Amilton Alves de Brito, o Padinho.
A reportagem apurou que a conversa tratou, principalmente, do possível indiciamento de Augusto Melo, por associação criminosa, e sobre reportagens que vêm sendo publicadas na imprensa em relação ao mesmo assunto. Outro tema debatido foi o aumento de quase R$ 600 milhões da dívida do clube, registrado no balanço financeiro de 2024.
Membros da organizada demonstraram muita irritação com o caso VaideBet durante a reunião, que aconteceu na sala do Cori (Conselho de Orientação). As imediações do Parque São Jorge, inclusive, foram rodeadas por algumas viaturas policiais enquanto a conversa acontecia.
Augusto Melo foi cobrado a dar esclarecimentos e avisado: caso o indiciamento dele se confirme e ele não deixe o cargo, estes mesmos membros da Gaviões levarão uma carta de renúncia ao presidente. Tal fato já havia sido adiantado pela Gazeta Esportiva na última sexta-feira, quando Metaleiro afirmou o seguinte: "Se ele for indiciado, ele tem que renunciar, simples. É inadmissível um presidente do Corinthians ser indiciado. Ele que vá cuidar da vida dele, resolver o problema dele e, se provar inocência, ele volta. Simples assim. Ele que entrou nesse furacão, não foi alguém que entrou para ele, não é plantado por oposição ou situação. É ele. Nós apoiamos e agora estamos esperando o final do processo".
O clima tenso e os debates acalorados na reunião se estenderam mais do que o esperado e causaram também o atraso de Augusto Melo a uma entrevista ao vivo, que já estava pré-agendada, a um podcast. Augusto Melo, Sérgio Moura (ex-superintendente de marketing) e Marcelo Mariano (ex-diretor executivo do clube) prestaram depoimento sobre o caso VaideBet na última semana no Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC, responsável por casos de lavagem de dinheiro).
O trio, junto de Alex Cassundé, corre o risco de ser indiciado por associação criminosa, entre outras infrações. A Polícia Civil de São Paulo deve divulgar na primeira semana de maio a conclusão da investigação sobre o contrato entre Corinthians e VaideBet e suas consequências. Quando assinado, o vínculo remetia a um valor total de R$ 360 milhões e renderia à empresa intermediadora R$ 25,2 milhões. A Polícia, após o desfecho, vai encaminhar o processo ao Ministério Público, responsável por fazer a avaliação das provas colhidas. Por último, um promotor de Justiça pode oferecer denúncias ou optar pelo arquivamento do inquérito policial, que, neste caso, tem sido conduzido pelo delegado Tiago Fernando Correia e acompanhado pelo Promotor de Justiça do Gaeco (Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), Juliano Carvalho Atoji.



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