Augusto Melo deu à Polícia Civil, nesta quarta-feira, uma nova versão sobre a sequência de fatos que culminou com o ingresso da Rede Social Media Design LTDA no contrato do Corinthians com a VaideBet, conforme apuração da Gazeta Esportiva . A narração explicativa do presidente do clube diverge dos depoimentos de Marcelo Mariano, Sérgio Moura e Alex Fernando André, conhecido como Alex Cassundé.
Portanto, o quarteto levou aos investigadores quatro versões diferentes sobre a mesma negociação que, segundo eles, aconteceu e motivou a citação da empresa como intermediadora do acordo entre o clube e a casa de apostas. Um fato comum entre os depoimentos dos quatro personagens é que nenhum deles apresentou à Polícia provas ou evidências de qualquer diálogo sobre o assunto. Augusto Melo, assim como os demais já haviam feito, admitiu que não tem nenhum arquivo com troca de e-mails ou conversas por meio de aplicativos de mensagens e ligações telefônicas.
Após prestar esclarecimentos no Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC, responsável por casos de lavagem de dinheiro), Augusto Melo foi questionado pela reportagem sobre a ausência de provas de que Alex Cassundé teria, de fato, feito a intermediação do negócio com a VaideBet. No entanto, o presidente do Corinthians foi interrompido pelo seu advogado, Ricardo Cury, e orientado a não responder.
A Gazeta Esportiva apurou que uma das divergências do depoimento de Augusto Melo em relação aos relatos de Marcelo Mariano, Sérgio Moura e Alex Cassundé diz respeito a uma reunião que, segundo o presidente, aconteceu em dezembro, no Parque São Jorge. Augusto Melo afirmou à Polícia que recebeu Alex Cassundé e que o empresário foi levado ao clube por Marcelo Mariano e Sérgio Moura. Este trecho da versão de Augusto Melo contradiz o que ele próprio afirmou ao Fantástico, na TV Globo , em reportagem publicada no dia 19 de janeiro deste ano. Na ocasião, ao ser interpelado sobre a relação dele com Alex Cassundé, Augusto Melo foi categórico: "Nenhuma. Nunca tive contato, não tenho o telefone, nunca sentei numa mesa (com ele)".
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou movimentações suspeitas em uma conta bancária ativa até hoje, com agência identificada em Blumenau-SC, e que tem Augusto Melo como titular. A lista de relacionamentos com esta conta bancária enviada pelo Coaf à Polícia Civil aponta para familiares de Augusto Melo, ex-dirigentes do clube e que participaram da atual gestão, e também cita a Arena Tatuapé, empresa que tem o presidente do Corinthians como um dos sócios.
A Polícia Civil de São Paulo deve divulgar na primeira semana de maio a conclusão da investigação sobre o contrato entre Corinthians e VaideBet e suas consequências. Quando assinado, o vínculo remetia a um valor total de R$ 360 milhões e renderia à empresa intermediadora R$ 25,2 milhões. Augusto Melo, Sérgio Moura, Marcelo Mariano e Alex Cassundé correm o risco de serem indiciados por associação criminosa, entre outras infrações. Yun Ki Lee, ex-diretor jurídico do clube, também pode ser indiciado se houver a conclusão de que ele auxiliou um ato criminoso, mesmo sem ser autor.



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