De Taió, em Santa Catarina, para o mundo. É assim que Nicolas Ramos se refere à irmã gêmea Nicole, goleira do Corinthians. Ligados desde pequenos, os dois aprenderam e cresceram fazendo tudo juntos.
– Como gêmeos, talvez eu e a Nicole sejamos o protótipo mesmo daquela conexão que um irmão tem com o outro. Eu acho que tudo isso foi muito construído porque sempre fomos muito parceiros um do outro – declarou o irmão da goleira das Brabas, que neste domingo, às 18h30, encara a Adiffem, em jogo válido pela segunda rodada da Conmebol Libertadores Feminina (na estreia, empate com o Boca Juniors, por 0 a 0).
A relação dos dois vai muito além da parceria atual e a ligação de gêmeos, um é incentivador do outro quando o assunto é esporte. Os irmãos Ramos fizeram atletismo, vôlei, tênis de mesa e muitas outras coisas, mas uma hora decidiram pelo futebol, a paixão de Nicole.
– Por ser gêmeo, a gente fazia tudo junto. Um dia, meu pai quis colocar meu irmão no futebol, era o sonho dele ver o Nicolas ser jogador. No dia, eu pedi para ir junto e pedi para treinar também – contou Nicole Ramos.
Goleira do Corinthians, a atual campeã brasileira entrou nas quadras de futsal para acompanhar o irmão. Os dois começaram a história juntos. Ele na linha, ela no gol.
– Nunca nem tinha passado pela minha cabeça jogar futebol. Acompanhava com meu pai e jogava com as meninas na escola, mas nunca tinha sonhado em ser jogadora. Começou quando entrei na escolinha – afirmou a goleira. Nicole contou ao ge que seu pai sempre teve um amor muito grande pelo futebol e, até hoje, ainda participa de jogos nas quadras e campos com os amigos.
Há dez anos atrás, com a dificuldade do futebol feminino, a irmã teve que pedir autorização para jogar bola na cidade de Taió, no interior de Santa Catarina. Os irmãos contaram que a cidade com menos de 20 mil habitantes acabava ficando em choque quando via que o time tinha uma menina.
– Naquele momento tivemos que pedir uma autorização, porque eu era a única menina que estava lá. Tinha esse preconceito muito grande de colocar sua filha para jogar no meio de homens – disse Nicole Ramos.
Assim como o futsal foi um acaso na vida de Nicole, o futebol de campo e a seleção brasileira não foram diferentes. A goleira que brilhava nos campeonatos precisava buscar novos ares.
Mesmo nunca competindo em campo, o técnico Zanata descobriu que a Seleção Sub-15 feminina precisava de uma goleira e passou a treinar Nicole Ramos para isso. A intenção, naquele momento, era gravar um vídeo mostrando como ela atuava.
– Eles que abriram as portas para o futsal, os campeonatos e a minha primeira convocação. Os treinadores me levaram para o campo, chutaram algumas bolas e gravaram um vídeo para ver se a seleção brasileira tinha interesse – contou Nicole.



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