Por Iúri Medeiros Alguns times obrigam os adversários a jogarem no limite, especialmente a nível de concentração. Um exemplo é o Botafogo, líder do Campeonato Brasileiro e dono de um elenco recheado de boas opções. O Corinthians, em situação oposta ao Glorioso, cometeu erros imperdoáveis no último sábado e saiu derrotado no Nilton Santos. O técnico Ramón Díaz optou pela utilização do tradicional 3-5-2/5-3-2 para o confronto, com Caetano como titular depois de quase três meses.
A escolha pelo retorno do esquema com três zagueiros fez sentido tendo em vista a verticalidade do Botafogo, que explora muito as costas da linha defensiva e a profundidade do campo. Na prática, o Corinthians pecou na proteção da região central, na entrada da área. Raniele e José Martínez não deram conta do volume da equipe do Botafogo nesse setor, especialmente com Thiago Almada partindo do lado para dentro. Talles Magno era o responsável por fechar o lado esquerdo da segunda linha corintiana, mas não preencheu bem os espaços no momento defensivo e pouco ajudou.
Assim, o Timão sofreu 15 finalizações no primeiro tempo, com sete defesas de Hugo Souza. Após tanto martelar, os mandantes abriram o placar com Luiz Henrique, em lance que Raniele foi facilmente driblado por Almada na origem. Depois, mais um baque: Romero não converteu o pênalti assinalado por Anderson Daronco logo após o gol dos mandantes. O camisa 11 telegrafou o canto e facilitou a vida de John, que defendeu sua primeira penalidade desde que subiu ao profissional.
Na segunda etapa, mudança de esquema e melhora no futebol corintiano. O time voltou ao 4-3-1-2, com Breno Bidon ditando o ritmo do meio-campo e Héctor Hernández formando dupla de ataque com Romero. A equipe teve melhor circulação de bola e encontrou mais saídas no jogo aéreo. Não por acaso, a equipe chegou ao empate com Garro, de pênalti, após ação faltosa de Barboza em Raniele dentro de área.
Quando o restante do jogo se desenhava para ser aberto, com chances de ambos os lados, o Botafogo logo voltou a ficar à frente no marcador. Em nova falha de Raniele, que não rebateu a bola corretamente em jogada de cruzamento, Thiago Almada aproveitou o rebate, o fintou novamente e finalizou com desvio para "matar" Hugo Souza.
Depois, mesmo com mais mudanças de Ramón, o Corinthians não conseguiu imprimir o mesmo ritmo e esbarrou nas conhecidas limitações técnicas para levar perigo ao gol de John. O Corinthians sobreviveu a grande parte do primeiro tempo e começou muito bem a segunda etapa, mas esbarrou em falhas imperdoáveis contra um time tão técnico e tão bem treinado. Como Ramón destacou em coletiva, faltou agressividade para encurtar espaços e "espírito" jogar de igual para igual contra o líder da competição.
Agora, o foco do Corinthians passa a ser o Atlético-GO, adversário do próximo sábado. Se o revés para o Botafogo era de certa forma esperado, qualquer resultado que não seja a vitória contra o lanterna será catastrófico para os planos do Timão na liga nacional.



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