Armando Mendonça, 2º vice-presidente do Corinthians, contratou um detetive particular para investigar a empresa Neoway Soluções Integradas, que atuou como "laranja" e recebeu parte da quantia de intermediação do contrato entre o Timão e a casa de apostas VaideBet. Felipe de Lacerda Ferreira, em depoimento à Polícia Civil na tarde desta quarta-feira, confirmou que foi contratado pelo dirigente corintiano para investigar o caso. A Gazeta Esportiva apurou que Armando Mendonça contratou os serviços do detetive em abril, depois de receber a denúncia de um jornalista sobre uma possível irregularidade no acordo feito entre a Rede Social Media Design, intermediadora no contrato com a VaideBet, e a Neoway, empresa de fachada.
No total, a Rede Social repassou pouco mais de R$ 1 milhão para o estabelecimento suspeita. A informação foi divulgada inicialmente pelo ge . A expectativa é que Armando Mendonça preste depoimento na tarde desta quinta-feira. Alex Cassundé, que fez parte da equipe de comunicação de Augusto Melo durante a campanha presidencial e é sócio da Rede Social Media Design, foi escutado pela Polícia no último dia 25 de junho. O advogado de Felipe de Lacerda Ferreira, Leonardo Peret, falou com a imprensa após o depoimento de seu cliente na 3ª Delegacia do Departamento de Polícia de Proteção a Cidadania (DPPC). "As informações estão em segredo de justiça. Só para esclarecer, o meu cliente foi intimado na condição de testemunha. Embora tenha o sigilo profissional a resguardar; por autorização do contratante, ele trouxe algumas informações para colaborar com a investigação", comentou.
Relembre o caso No dia 20 de maio, foi divulgado um suposto esquema de "laranja" ligado ao intermediário que firmou o contrato entre VaideBet e Corinthians. No dia 18 de março de 2024, a empresa Rede Social Media Design Ltda teria recebido um pagamento de R$ 700 mil do Corinthians, com o qual sua conta bancária passou a ter saldo positivo de R$ 697.270.73. Alguns dias depois a conta foi reabastecida com a mesma quantia. Uma semana depois, a Rede Social Media Design Ltda fez um pagamento de R$ 580 mil à Neoway Soluções Integradas em Serviços Ltda. Um dia depois desta transação, a Rede Social teria feito mais uma transferência a Neoway, desta vez no valor de R$ 462 mil.
A Rede Social foi a responsável pela intermediação do acordo entre VaideBet e Corinthians. A Neoway é uma empresa que teria como sócia uma mulher residente de Peruíbe, Edna Oliveira dos Santos. A sede da Neoway tem como endereço a Avenida Paulista, 171, 4º andar. Porém, segundo a recepcionista do local, ninguém vinculado à empresa já frequentou o local. A grande questão é que a Rede Social pertence a Alex Fernando André, o Alex Cassundé, que participou da campanha eleitoral de Augusto Melo para ser presidente do clube, no final de 2023. Cassundé é conhecido do ex-superintendente de marketing do Timão, Sérgio Moura.
As transações de R$ 700 mil reais foram feitas sem o conhecimento do diretor financeiro Rozallah Santoro, que naquele momento não se encontrava no Parque São Jorge, pois estava em viagem. Sem a presença de Santoro, o diretor administrativo Marcelo Mariano autorizou os pagamentos alegando que a Rede Social já havia emitido notas fiscais e teria arcado com os impostos.
Edna Oliveira dos Santos, sócia-majoritária da Neoway, é moradora de uma casa simples em Peruíbe e desconhece a empresa, da qual seria dona. Além disso, Edna desconhece Cassundé. No dia 27 de maio, a VaideBet enviou uma notificação extrajudicial ao clube, acenando com a possibilidade de rescindir o vínculo, inicialmente previsto até o final do mandato de Augusto Melo. No documento, a empresa expôs sua insatisfação ao time do Parque São Jorge com as notícias veiculadas na imprensa sobre a parceria.
A casa de apostas deu um prazo de dez dias para que o clube prestasse explicações e apresentasse soluções. Sem ter o retorno esperado, a VaideBet exerceu a cláusula de anticorrupção, contida no contrato de patrocínio, e rescindiu o acordo. O Corinthians corre o risco de ter de arcar com a multa de 10% do valor a ser cumprido do contrato. Isso porque há uma cláusula nele que determina este pagamento pela "parte que der causa à rescisão". O clube, porém, alega que não responde por terceiros e contesta a ruptura, cobrando da VaideBet uma suposta dívida avaliada em R$ 6,3 milhões, referente um saldo contratual. O Timão entende que a companhia seguiu usando a imagem da agremiação mesmo com o fim do vínculo.



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