Um mês atrás, ao final do primeiro jogo na temporada, a torcida do Corinthians entoou um grito nas arquibancadas da Neo Química Arena que soava como um recado ao novo elenco que estava sendo formado: - Ê, ê, ê, joga com raça que a Fiel tá com vocês. No clássico contra o Palmeiras faltou uma série de atributos ao time. Mas não o principal, aquilo que o torcedor do Corinthians trata como inegociável: dedicação, entrega, luta até o último minuto. O empate em 2 a 2 no Dérbi de Barueri , com dois jogadores a menos e um zagueiro improvisado como goleiro nos minutos finais , será lembrado pelos alvinegros por muito tempo. Não pelo resultado do jogo, mas pela forma como ele foi conquistado. O comprometimento, a vibração e a resiliência apresentados neste domingo são essenciais para a formação de um grupo campeão, e o clássico contra o Palmeiras pode virar um marco para essa equipe, como outros Dérbis já foram no passado. Porém, o Corinthians ainda precisa de mais para voltar a levantar taças. Algo previsível em meio a uma reformulação tão intensa e a esta altura da temporada. É possível contar nos dedos de uma mão a quantidade de treinos táticos que António Oliveira realizou em 10 dias de trabalho no clube. Desde que Abel Ferreira assumiu o rival, em 2020, nove técnicos diferentes passaram pelo Parque São Jorge. Mesmo diante de um adversário que não contava com seu principal articulador (Raphael Veiga, machucado), o Corinthians cedeu inúmeras oportunidades de gol. A fim de proteger Gustavo Henrique e Félix Torres, o volante Raniele afundava entre a dupla e atuava como líbero. A estratégia funcionava ao proporcionar coberturas aos zagueiros, mas oferecia espaço demais em frente a área corintiana. O vazio deveria ser preenchido por Fausto Vera, que mais uma vez esteve apagadíssimo. Rodrigo Garro também não tapava o buraco na intermediária defensiva. Para piorar, o Corinthians não conseguia reter a bola no campo de ataque e sofria com atuações individuais ruins, como a de Caetano, novamente improvisado na lateral esquerda. Na frente, Yuri Alberto era pouco municiado, Romero produzia pouco e Wesley só foi notado ao ser "engolido" pela marcação no lance que originou o primeiro gol alviverde. António Oliveira voltou do intervalo com uma mudança na lateral. Matheuzinho, de características mais ofensivas, entrou no lugar de Fagner. Os problemas persistiram, e o Corinthians sofreu dois gols - um deles anulado por impedimento. Mas, além da raça já mencionada neste texto, o Timão mostrou que agora tem um banco de reservas mais qualificado. O ataque ganhou fôlego com as entradas de Pedro Henrique e Gustavo Mosquito - foi dele a assistência para Yuri Alberto marcar pelo terceiro jogo consecutivo. O improvável empate, aos 54 minutos, veio numa arma que também não era vista na equipe há tempos: uma cobrança magistral de falta de Rodrigo Garro. Estatísticas do clássico - Palmeiras x Corinthians : Posse de bola: 53% x 47% Finalizações: 20 x 13 Chutes no gol: 5 x 6 Faltas: 20 x 17 Passes: 337 x 292 Dribles: 10 x 9 Desarmes: 20 x 20 O Corinthians não conseguiu vencer nenhum dos três clássicos na primeira fase do Paulista, mas sai fortalecido do Dérbi. Ainda há muito em que melhorar e a classificação para o mata-mata segue difícil, mas o time dá sinais de evolução. E do jeito que seu torcedor mais gosta.
Rodrigo Garro comemora gol em Corinthians x Palmeiras — Foto: Rodrigo Coca/Ag Corinthians



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