O Corinthians sofreu uma derrota nos tribunais e terá de indenizar o ex-lateral Daniel Marcos em mais de R$ 3 milhões. A decisão da Justiça do Trabalho, divulgada nesta quinta-feira (7), considera que o clube é responsável pelo fim precoce da carreira do atleta, que anunciou aposentadoria em janeiro deste ano, aos 23 anos. A defesa alegou que as sequelas de uma lesão sofrida na base impediram a continuidade no futebol. O clube paulista confirmou que pretende recorrer da sentença de primeira instância.
A disputa jurídica envolve o histórico médico do jogador desde dezembro de 2020, quando Daniel Marcos rompeu os ligamentos do joelho direito em confronto entre Corinthians e Grêmio pelo Campeonato Brasileiro Sub-20. O processo detalha que o atleta passou por três intervenções cirúrgicas ao longo de quatro anos sem obter recuperação plena. O valor total da condenação, somado a honorários advocatícios e correções pela taxa Selic, deve ultrapassar R$ 3,5 milhões.
O drama físico do lateral começou logo após a assinatura de seu contrato profissional com o Corinthians. Após a primeira cirurgia, realizada semanas depois da lesão contra o Grêmio, o vínculo foi renovado até o final de 2024, com salários de R$ 17 mil mensais. Contudo, as tentativas de ganhar ritmo em outros clubes evidenciaram a gravidade do problema clínico.
Durante os empréstimos, o jogador enfrentou novos reveses:
Em março de 2024, o Corinthians rescindiu o contrato, pagando R$ 131 mil em verbas rescisórias. Livre no mercado, Daniel tentou uma última oportunidade no Resende, mas a incapacidade física persistiu. Sem perspectivas de melhora, anunciou oficialmente a aposentadoria no início de 2026.
A condenação foca em lucro cessante e perda de chance, conceitos aplicados quando um profissional perde a capacidade de exercer seu ofício. O advogado Filipe Rino, representante de Daniel, pleiteava R$ 5 milhões, mas a sentença fixou R$ 3 milhões, além de R$ 149 mil em honorários de sucumbência.
O departamento jurídico do Corinthians fundamenta seu recurso na tese de que todos os procedimentos médicos necessários foram oferecidos ao atleta. O clube defende que prestou assistência durante as recuperações e que lesões fazem parte do risco da profissão. Para o Timão, não houve negligência.
A Justiça, por outro lado, entendeu que o nexo causal entre o acidente no Sub-20 e a invalidez esportiva está configurado. O magistrado destacou que o atleta não possui mais condições de atuar em alto rendimento. Com correção monetária, o passivo pode crescer enquanto o caso tramita em instâncias superiores. O Corinthians, em meio a reestruturação financeira, tenta evitar que novas dívidas trabalhistas impactem o fluxo de caixa da temporada.
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