O Corinthians prepara para esta quarta-feira o anúncio do treinador Vitor Pereira. Desde a noite de terça, o clube vem atiçando a torcida com postagens que brincam sobre a iminência da contratação.
Em um dos posts no Twitter, o presidente do Timão, Duilio Monteiro Alves, aparece em Portugal, terra natal do treinador.
Em outro post, porém, o perfil do clube brincou que só iria retomar o assunto no dia seguinte, como de fato aconteceu. Na manhã desta quarta-feira, o Corinthians postou uma música portuguesa.
Bom dia, Fiel!
Vcs n cansam de me perguntar a mesma coisa? 2 semanas já, po...
O anúncio nesta quarta-feira tornará Vitor Pereira o terceiro técnico a trabalhar na gestão de Duilio. Antes dele, Vagner Mancini e Sylvinho estiveram à frente do cargo. A ideia de Duilio é fechar um contrato de duas temporadas, para que o profissional fique com ele até a passagem de bastão da gestão, no fim de 2023.
Algumas questões ainda travam o anúncio oficial, mas há uma confiança muito grande da parte de todos os envolvidos para que Vitor Pereira assuma o time a partir da próxima semana. Antes, no domingo, Fernando Lázaro deve comandar o time às 11h, contra o Red Bull Bragantino, na Neo Química Arena.
Quem é o treinador?
Vitor Pereira, como a maioria dos técnicos portugueses, viveu seu começo de carreira nas categorias de base. Ele comandou os juniores do Porto entre 2002 e 2003 e 2007 e 2008. Seu olhar para jovens jogadores, além da capacidade de desenvolvê-los, aparecem com os nomes revelados.
No Porto, Pereira foi um dos responsáveis por levar Danilo, lateral do Santos, em 2011. James Rodriguez, meia colombiano, foi outro levado pelo treinador ao time português. Além desses nomes, João Moutinho, Radamel Falcao e Hulk passaram pelas suas mãos.
Hulk, atualmente no Atlético-MG, chegou ao Porto em 2008 e também trabalhou com ele no Shanghai SIPG, da China.
Com a saída de Villas-Boas para o Chelsea, Vitor Pereira assumiu o cargo de treinador do Porto e conquistou duas vezes o Campeonato Português, o último deles invicto, na temporada 2012-13, com um elenco recheado de brasileiros: entre os mais conhecidos, o goleiro Helton, o lateral-direito Danilo, o zagueiro Maicon, o lateral-esquerdo Alex Sandro e, claro, Hulk.
Depois de deixar o Porto na temporada 2012-13, Vitor Pereira saiu de Portugal para outros mercados. No ano seguinte, o português treinou o Al Ahli, da Arábia Saudita. Após uma curta passagem, Pereira foi para mais um período pequeno trabalhar no Olympiacos, da Grécia. Lá, ele conquistou o Campeonato Grego e a Copa da Grécia.
Depois disso, Vitor Pereira assumiu a missão de tentar fazer o 1860 Munich, time da Alemanha, escapar do rebaixamento para a terceira divisão. Não conseguiu. Após essa passagem pelo futebol alemão, o treinador rumou à China, no Shanghai SIPG.
Lá, Vitor Pereira conseguiu quebrar a hegemonia, que já durava sete anos, do Guanghzou Evergrande no Campeonato Chinês. O treinador conquistou o campeonato nacional e a Supercopa da China.
Seu último trabalho, no Fenerbahçe, da Turquia, não foi tão bom. Pereira teve um aproveitamento de 44%, e saiu com o clube na quinta colocação do campeonato turco.
Estilo de jogo "transformer"
Nem ofensivo, nem defensivo: Vitor Pereira busca um equilíbrio desejado por muitos treinadores em seus times. O português gosta de se adaptar ao time que enfrenta. Em um contexto de futebol brasileiro, pressão e temporada apertada, isso pode ser algo positivo.
Em entrevista ao portal Mais Futebol, de Portugal, Vitor Pereira falou sobre o seu estilo de jogo. O treinador criou uma expressão que define o estilo de futebol que ele gosta em seus times.
"Isso veio para ficar. Na China jogávamos no 3-4-3 ou no 3-5-2, por vezes no 4-3-3. Na semana passada, estive em uma "webinair" e apelidei esta nova estrutura de estrutura transformer. Vivemos em uma tendência de um futebol com as linhas mais coordenadas e os espaços mais reduzidos. Com isso, precisamos nos reinventar no ponto de vista ofensivo", explicou.
"Podemos começar com um 4-3-3 teórico e transformá-lo em outra coisa ao longo do jogo, ofensiva e defensivamente, em função dos espaços que queremos controlar e atacar. Isso para mim é o futuro. Podemos montar e desmontar a estrutura durante o jogo. Essas estruturas com três centrais e depois dois laterais ou alas de largura total não são fáceis de controlar", completou.
Pelas respostas de Vitor Pereira, é possível perceber que o técnico tem a noção de que o futebol não é algo quadrado, mas sim dinâmico.
"Imagine que meu time joga normalmente no 4-4-2 clássico, e vou jogar contra uma equipe no 3-4-3. Esse time, se bem trabalhado, vai ter sempre a possibilidade de nos atacar com cinco homens contra quatro na defesa: dois alas, dois atacantes por dentro e um ponta. Se não desmontarmos nosso 4-4-2 para controlar a largura, não há como vencer. Temos de criar dinâmicas que nos permitam equilibrar os espaços e os momentos, também em função do adversário", comentou.
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