Um dos líderes do elenco do Corinthians, Fagner foi o primeiro a comentar a saída de Sylvinho do comando técnico da equipe. Para ele, foi uma decisão acertada da diretoria no sentido de preservá-lo, diante da pressão imposta pela torcida.
– O presidente já falou tudo: pressão grande. Vale ressaltar o que ele fez de bom. Diziam que a gente brigaria para cair no Brasileiro. Com trabalho e esforço, dedicação dele, estudo, vendo o que eram as melhores opções, junto com a chegada dos atletas, terminamos em posição de Libertadores. A decisão da diretoria foi para preservar o próprio Sylvinho. Ele deixou coisas muito boas e vai se tornar um excelente treinador no futuro – disse, citando as declarações de Duilio Monteiro Alves ao Grande Círculo, do SporTV, que vai ao ar no próximo dia 19 de fevereiro, às 21h30.
Para ele, o grupo fez o que podia para manter Sylvinho no cargo.
– O futebol é muito dinâmico. Não tem como falar que deixamos de fazer algo. Fizemos o que poderia ter sido feito. Para preservar até mesmo o próprio Sylvinho, pressão externa e tudo mais, foi a decisão tomada. Temos que agradecer a ele por tudo, agregou e ajudou muito os atletas. Vamos procurar vencer os próximos jogos. O futebol é assim, e temos que pensar lá na frente – completou.
Estrangeiro x brasileiro
Com a saída de Sylvinho, a diretoria agora busca um novo treinador no mercado. O lateral diz que não tem preferência entre um brasileiro ou um estrangeiro. Neste momento, técnicos europeus estão no radar do Corinthians, que deve fazer um investimento relevante na nova contratação.
– É difícil falar, até porque vão fazer nove anos desde que passei pela Alemanha. Nem falo que vão me chamar de velho. Algumas coisas são diferentes e, ao mesmo tempo, temos que ver o trabalho de outra maneira. Um estrangeiro precisa conhecer o país, futebol e tudo mais. Com o brasileiro, não se tem esse tempo. O Tite foi muito criticado na Seleção, mesmo com bons números. Temos que valorizar o que temos no país também. Falam que o jogador que atua no Brasil precisa ir à Seleção, depois questiona-se o nível, se pode enfrentar um europeu. A gente valoriza o de fora e não o de dentro. Quem vier, vai agregar. Precisamos ver o dia a dia. Não adianta falar que vai agregar mais ou menos.
Fagner seguiu, citando que há mais paciência com trabalho de europeu no Brasil:
– Eu não diria que (brasileiros) pararam no tempo. Trabalham com a cabeça de que pode sair a qualquer momento. Quero que meu time jogue para a frente. É a cultura do futebol brasileiro, ir ajustando aos poucos. O futebol é feito de vitórias, o cara vive de porradas. Quando vem de fora, há mais tempo, mais paciência, espera quatro ou cinco meses. Acho que isso deveria ser dado ao treinador brasileiro também.
– Ainda bem que não estou na pele da diretoria (risos). Não tem como falar que prefere A, B ou C. Independentemente do perfil, os atletas vão receber de braços abertos por vitórias e chegar longe nas competições.
Veja outros temas da entrevista coletiva de Fagner:
Estilo de jogo mais recuado com Sylvinho:
– Comigo não teve nada. São duas fases do trabalho. Logo que ele chegou, estávamos em situação ruim, sendo questionados, cobrados. A ideia foi ajustar o sistema defensivo. Menos gols sofridos, mais chances de vencer. Esse ano, com estrutura de jogo, te possibilita ajustes para chegar mais na frente. No jogo contra o Santo André, com cinco meias, um volante só, se os dois laterais forem para a frente, fica com apenas três para marcar. Se eu pudesse, ficaria lá na frente o tempo todo. Em duas bolas que pecamos na saída, o Neto já estava para jogar nas costas. Se avanço na hora errada, dou o que o rival quer. Tem jogo que possibilita, tem jogo que preciso segurar mais. É preciso ter leitura de jogo. Podemos perder por isso.
Interino Fernando Lázaro pode virar o técnico?
– No futebol, pode acontecer de tudo. Estamos pensando no próximo jogo. Se Deus quiser, com bom resultado, dá mais tranquilidade para a diretoria trabalhar. A gente não sabe quanto tempo vamos ter. Quero ajudar da melhor forma. Ele se dá bem com todos, vamos tentar ajudá-lo. Não sei se é o objetivo dele já virar técnico.
Falta de técnico atrasa planejamento?
– Atrasar não digo que é o termo. Sabemos que independentemente do nome, os jogadores que aqui estão vão procurar ajudar da melhor forma possível. Os jogos são importantes, jogadores vão se entrosando. Não diria que é um atraso, mas independentemente de quem vier, vai estar preparado fisicamente. Vai ser importante para esse momento.