3/2/2022 13:20

[OPINIÃO] Quanto vale a convicção de dirigentes brasileiros?

Ao demitir o treinador no começo de fevereiro, Corinthians mostra que errou na avaliação no fim do ano e continua errando na hora de se planejar

[OPINIÃO] Quanto vale a convicção de dirigentes brasileiros?
13 de janeiro de 2022: "A gente acredita muito no trabalho do Sylvinho, apesar dele ser jovem, está iniciando a carreira de treinador, sendo o principal treinador. Nós acompanhamos o trabalho dele diariamente, os treinamentos, e ele vai muito bem. Nós estamos muito satisfeitos com o trabalho dele. Lógico que o resultado nesse ano tem que aparecer. A confiança aqui é muito grande, por isso a gente permanece com o Sylvinho, e não tenho dúvidas de que vamos colher frutos lá na frente."



02 de fevereiro de 2022: "Após o jogo, nos reunimos nos vestiários, eu e a diretoria de futebol, e entendemos ser o momento de interromper o trabalho do nosso treinador e corrigir rota. Vim comunicá-los. Aproveito o momento para agradecer o empenho e trabalho do Sylvinho, toda dedicação dele e sua comissão."


As duas explicações de Duilio Monteiro Alves, presidente do Corinthians, são separadas por apenas 3 semanas. Mudar de ideia é natural e saudável, mas diante de uma mudança tão forte como a demissão de Sylvinho após ser garantido no cargo várias vezes, fica a pergunta: qual é o valor da dita convicção de dirigentes brasileiros?


Sylvinho jamais teve paz no Corinthians. Apesar de ser da linhagem mais vencedora da história do clube, aquela de Mano, Tite e Carille, ele nunca convenceu o torcedor. Primeiro, por uma quebra de expectativa: com as chegadas de Willian, Renato Augusto, Giuliano, Roger Guedes e mais recentemente Paulinho, havia a ideia de que o time deveria "voar", o que não condiz com a eliminação para o Atlético-GO na Copa do Brasil e desempenhos ruins em clássicos e jogos específicos, como contra o Flamengo e Juventude.


O sucesso do rival Palmeiras e os trabalhos que não deram em nada de Tiago Nunes e Mancini aumentaram a impaciência. Com um vocabulário mais técnico e um perfil menos emotivo e mais racional, Sylvinho também não provocou empatia imediata na torcida. Virou meme o vídeo da coletiva em que jogadores parecem não entender o que ele dizia.


Em campo, o time tinha prós e contras. Como é de praxe na filosofia que o treinador segue, o Timão defendia bem. Era organizado lá atrás, com uma linha de quatro defensores bem nítida e que sempre tinha uma cobertura, e era organizado na hora de pressionar e fazer uma marcação mais alta. O problema estava mesmo com a bola, na criação de jogadas, o que contradiz justamente os reforços que chegavam. Um problema, que não dependia do técnico, estava justamente nas contratações: o Corinthians tem um elenco com muita qualidade, mas de difícil encaixe: meias e atacantes mais pesados que podem deixar a defesa desprotegida e a falta de um centroavante capaz de reter a bola.


Diante de todo esse contexto, qual é o sentido de manter um trabalho durante a pré-temporada e jogar tudo fora após três rodadas?


Não fazia mais sentido corrigir a rota antes do período sem treinos?



Ao mudar de opinião tão facilmente em 3 semanas, o Corinthians joga fora um valioso período no qual o elenco, já com os reforços, poderia treinar com um novo técnico, numa nova filosofia. Quando há a demissão do comando, não é só a pessoa que é alvo da ira da torcida que muda. É a forma de jogar. A forma de treinar. A forma de conduzir o grupo no vestiário. A forma de se relacionar com os setores do clube e até a alimentação dos jogadores.


Trocas de comando são traumáticas e é estatisticamente comprovado que, na absurda maioria das vezes, não dão resultado. É por isso mesmo que existe a pré-temporada: para que toda a adaptação e ajuste sejam feitos antes dos jogos, quando o calendário brasileiro não dá tempo para que esse processo, que no fim é humano, aconteça.


Erros de timing como esse do Corinthians acontecem todo ano, em todos os clubes. Porque a convicção de dirigentes brasileiros é extremamente volátil. Quase que falsa. Não é apenas porque eles pensam no resultado, mas porque não sabem avaliar um trabalho de forma racional, e atendem pressões que vão desde grupos políticos até torcedores. Esses dois últimos são movidos pela paixão. Quem decide se um técnico deve ficar ou não não pode agir pela paixão, mas deve ter critérios claros e racionais para avaliar um trabalho.


Sylvinho, o grande problema, está fora. Um treinador chegará com altas expectativas, comemorado. Ganha carona no aeroporto. Ele obriga o clube a gastar o dinheiro que não tem para reforçar o elenco e atender o anseio pelo resultado. Se não vencer o Estadual, a pressão se tornará absurda até o novo treinador ser o alvo da vez, com uma pegação no pé surreal resultar numa nova demissão.



Tudo é esquecido em dezembro. Mas as dívidas, a falta de planejamento e principalmente a falta de convicção e avaliação da maioria dos dirigentes brasileiros vai ficar. Como está presente há tantos anos no país. Porque, no fim das contas, nenhum técnico está sempre garantido no cargo.

#corinthians #timao #alvinegro #opiniao #sylvinho


VEJA TAMBÉM
- Corinthians tem péssima média quando está jogando com um a menos; Entenda!
- Corinthians pode garantir vaga antecipada nas oitavas da Libertadores; Entenda os cenários na competição!
- BOMBA: Corinthians mira a contratação de jogador revelado no clube


1089 visitas - Fonte: Globoesporte.com

Mais notícias do Corinthians

Notícias de contratações do Timão
Notícias mais lidas

Nenhum comentário. Seja o primeiro a comentar!

Enviar Comentário

Para enviar comentários, você precisa estar cadastrado e logado no nosso site. Para se cadastrar, clique Aqui. Para fazer login, clique Aqui ou Conecte com Facebook.

Últimas notícias