Buscar ter uma solução para tudo dentro do jogo antes mesmo de ele começar talvez ajude a explicar um pouco do enorme sucesso do Corinthians feminino de 2016 para cá.
Nesta quinta-feira, o Timão inicia a busca pelo tricampeonato da Libertadores, no Paraguai, dias depois de ter se classificado à final do Campeonato Paulista para enfrentar o São Paulo.
O processo se intensificou desde janeiro de 2019, quando o clube apostou na melhora da qualidade de sua análise de desempenho e na massificação do processo para estar sempre um passo à frente das rivais. Trabalho, qualidade e quantidade em escala chamada de "24/7": 24 horas por dia, sete dias por semana.
O duelo desta quinta será contra o San Lorenzo, da Argentina, às 17h30 (de Brasília), em trabalho que começou para a comissão técnica ainda no Brasil. A duração da jornada para decifrar todo e qualquer rival começa quando acaba um jogo e dura até o fim do outro.
Para entender como funciona o trabalho da comissão técnica, o ge ouviu Rodrigo Iglesias, auxiliar e braço direito do técnico Arthur Elias, e Bruno Faust, analista de desempenho do Corinthians. O primeiro tem a função de analisar os rivais e o segundo a de analisar o próprio time para criar soluções em conjunto.
"Temos uma ideia de jogo, então baseamos a análise do rival em função do que somos capazes de fazer e o que tem de oportunidade. Por exemplo, como o Palmeiras ataca, entendendo como faz e as brechas que podemos usar. Muitas vezes, estou com o time suplente, então tento fazer com que elas reproduzam para testar a eficácia contra o nosso titular. Isso o mais rápido possível. Jogamos isso para todos da comissão e tiramos ideias em conjunto para direcionar o trabalho", explicou Rodrigo Iglesias, em conversa com o ge.
"Se o rival marcar alto, teremos uma solução. Se marcar baixo, outra. Cada jogo tem uma característica, não dá nem para dizer o que é mais ou menos complicado. A água precisa se adaptar ao formato do copo. É desenvolver o jogo a partir disso", completou Bruno Faust.
O trabalho acontece da seguinte forma: Bruno é o responsável por gravar os jogos direto do estádio e se mantém sempre em comunicação com Rodrigo via rádio. Após as partidas, o analista já consegue disponibilizar um compacto para ajudar Arthur Elias a instruir as atletas.
No dia seguinte ao do jogo, há uma análise da parte ofensiva e depois da defensiva do próprio time. Enquanto isso e principalmente nas semanas com mais de um jogo, Rodrigo já está desenvolvendo a coleta de informações do próximo rival para cruzar as informações.
"Massificamos quantidade e qualidade. Não só pelo Bruno (que chegou em janeiro de 2019 ao clube), mas também na questão de intensificar até o material físico, que não é simples e nem barato. E temos margem pra fazer mais. Evoluímos bastante. Uma velocidade de retorno maior, praticamente imediato. Ideia é ter isso simultâneo", pontuou Rodrigo.
Todo esse trabalho somado ao "inconformismo" corintiano, que segue em busca de vitórias mesmo com tanto domínio nos últimos anos, e com o uso de um software capaz de cruzar os dados e entregar uma programação. Bruno explica:
"Esse software de análise ajuda muito. Por exemplo: Arthur quer um treino de organização ofensiva com movimentação entre meias e atacantes. O software ajuda a separar os lances, então crio protocolos de separar lances que cumprem ou não o que eles esperam. Também permite que se associe treino com jogo através dos lances".
Para Rodrigo, o trabalho ficará cada vez mais complexo ao longo dos próximos meses e anos, já que os times tentam ficar mais indecifráveis.
"Até pela evolução da modalidade, vários times nos enfrentam de igual para igual, subindo a marcação. O mais difícil é achar os padrões. Antecipar a intenção do adversário. Pode ser que o time jogue sempre com bloco de marcação baixo e mude contra nós, estão tentando ser imprevisíveis. Certo é que damos muito valor para a parte ofensiva, sustentar a bola, agredir o rival e controlar o jogo dessa forma", encerrou Rodrigo.
O Corinthians feminino é bicampeão da Libertadores (2017 e 2019), tricampeão brasileiro (2018, 20 e 21), bicampeão paulista (2019 e 20), campeão da Copa do Brasil (2016). Todos os títulos conquistados sob o comando da mesma comissão técnica liderada por Arthur Elias.
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Por que o inútil do Sylvinho não faz um estágio com o pessoal do Futebol Feminino heim?
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