O futebol brasileiro completa neste fim de semana a triste data de um ano sem receber torcida. A pandemia da covid-19 motivou a realização de jogos com portões fechados para evitar aglomerações e tem como consequência para os clubes um problema tão doloroso quanto o silêncio dos estádios. Na parte financeira, esse primeiro ano causou a perda de R$ 450 milhões com bilheteria para os 34 principais times brasileiros, segundo estudo feito pela Pluri Consultoria.
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O mesmo levantamento indica também que de março de 2020 até agora a falta de jogos com torcida causou cerca de R$ 330 milhões em impacto entre receitas vindas de sócios e ações de marketing. Os clubes, hoje, vivem uma situação muito pior em comparação a 14 de março do ano passado, quando pela primeira vez os estádios brasileiros não tiveram cadeiras cheias, catracas em atividade e as lanchonetes com fila.
Mais do que lamentar, as equipes agora discutem maneiras para minimizar as perdas. As soluções são necessárias porque o cenário da pandemia é preocupante, alguns Estaduais estão até suspensos e a volta da torcida aos estádios parece bastante distante. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) defende que os portões só sejam reabertos quando a população for vacinada. "
A volta do público é algo que na nossa avaliação está muito acoplado à vacinação", disse o secretário-geral da entidade, Walter Feldmann.
Em 2019, as receitas com dias de jogos fizeram os 20 principais times brasileiros arrecadar R$ 950 milhões, segundo levantamento feito pela E&Y. A quantia representa em média 17% do total de entradas. Porém, agora essa fonte de recurso secou e até mesmo o time mais vitorioso da temporada, o Palmeiras, admite dificuldade. "
A situação financeira é bem sensível. Perdemos ao redor de 30% das receitas em 2020. E o quadro tende a se repetir para 2021", comentou o presidente do clube, Mauricio Galiotte. O Palmeiras fechou o último ano com o prejuízo de R$ 151 milhões.
Para mudar esse quadro, as equipes querem inovar. "
Acredito que a gente vai ter de se organizar em relação ao futuro, com novas possibilidades de receitas, com canais digitais através de criação de conteúdos exclusivos, a questão dos games e novas formas de patrocínio que se abrem, como casas de apostas", explicou ao Estadão o presidente do Inter, Alessandro Barcellos.
A equipe gaúcha tem apostado em aumentar as vantagens para os participantes do sócio-torcedor, para que mesmo à distância os colorados se sintam participantes desse momento. "
É uma forma de buscar no torcedor um sentimento de pertencimento ao momento que a gente está vivendo e fazer com que ele sinta que passou por essa fase junto com o clube", disse Barcellos. Várias outras equipes intensificaram também a venda de produtos oficiais em lojas virtuais.
Para quem acompanha o setor, uma boa saída é fortalecer a criação dos canais de vídeo no YouTube para valorizar patrocinadores e atrair o público. "
É possível acelerar algumas iniciativas de inovação para que já comecem a dar frutos, mas normalmente elas vão levar algum tempo de maturação para dar todo o resultado que podem dar", disse André Monnerat, diretor de negócios da Feng, especializada em programas de sócios, engajamento de torcedores e gestão em redes sociais.
Na opinião do especialista em inovação Bruno Maia, a pandemia coincide também com um delicado momento de transição na parte dos direitos de TV, com a saída da Rede Globo de alguns torneios. "
Os clubes também levarão alguns anos até desenvolverem novas estruturas de negócios que cheguem perto de fazer frente ao que ficou pra trás", avaliou Maia.
LIBERTADORES FOI EXCEÇÃO
A final da Copa Libertadores no Maracanã, em 30 de janeiro, foi a única exceção ao longo desse último ano entre os principais torneios de futebol que tiveram jogos no País. Enquanto em todas as outras competições as partidas foram realizadas sem público, o jogo decisivo entre Palmeiras e Santos reuniu quase 5 mil pessoas.
Porém, não houve venda de ingressos. Apenas estiveram no estádio convidados dos clubes, patrocinadores, dirigentes, jornalistas e membros da Conmebol. A entidade exigiu dos presentes a apresentação de testes negativos para covid-19 realizado dias antes.
Apesar disso, os cuidados não foram suficientes para evitar aglomerações. O público ficou concentrado em um mesmo setor do estádio e em alguns momentos muitos não usaram máscaras. Houve até abraços entre os presentes para comemorar o gol do título palmeirense.
A política de não vender ingressos e de exigir credenciamento e documentação de todos os presentes não impediu também outras irregularidades. Os clubes encontraram na internet tentativas de golpes com a falsa promessa de venda de credenciais para acesso ao estádio. Alguns anúncios chegavam a prometer por R$ 3 mil a entrada no Maracanã. Os golpistas até fizeram montagens para tentar reproduzir nos anúncios as credenciais falsas.
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