18/9/2026 20:29

Golpe? Pela 4ª vez, Justiça de SP suspende votação do estatuto do Corinthians

A Justiça de SP suspendeu pela 4ª vez a votação da reforma do estatuto do Corinthians após recurso de conselheiros vitalícios sobre regras eleitorais para 2026.

Golpe? Pela 4ª vez, Justiça de SP suspende votação do estatuto do Corinthians
O embate nos corredores políticos do Parque São Jorge sofreu um revés fulminante nesta sexta-feira (18) e coloca o modelo de governança do clube totalmente em jogo. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) confirma a suspensão liminar da Assembleia Geral Extraordinária (AGE) que votaria a tão aguardada reforma do estatuto do Corinthians, marcando a quarta interrupção judicial de um processo que arrasta disputas ferrenhas entre a situação e a oposição alvinegra.

A intervenção do Poder Judiciário reage a uma ofensiva capitaneada por três conselheiros vitalícios de peso: Ademir de Carvalho Benedito, Alexandre Husni e Guilherme Gonçalves Strenger. O trio contesta a lisura dos ritos internos e admite a existência de vícios graves nos bastidores, sustentando que a convocação da AGE atropelou as competências do Conselho de Orientação (Cori) e violou expressamente o artigo 97, alínea M, do estatuto vigente.

— A necessidade de blindar o processo democrático do clube nos desafia a frear manobras que ignoram os próprios regulamentos internos. O Conselho admite a importância de modernizar a gestão, mas a história da instituição nos cobra respeito rigoroso à legalidade. Não há nenhum acordo travado para permitir que votações sejam empurradas goela abaixo sem o aval dos órgãos competentes, colocando em risco a lisura do processo eleitoral — dispara uma fonte ligada aos conselheiros nos bastidores do Parque São Jorge.

Ao analisar o pedido de urgência, o relator do caso, desembargador Maurício Campos da Silva Velho, acatou os argumentos e determinou o cancelamento imediato da votação. O magistrado apontou risco de dano significativo e de difícil reparação às regras do pleito que definirá a presidência do clube em 2026, visto que o texto proposto alterava de forma direta o sistema de votação e o peso da participação dos associados. A decisão, embora provisória, estabelece um complexo impasse até o julgamento definitivo do recurso.

Em resposta pública à decisão judicial, o presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Jr., emitiu nota oficial lamentando mais uma trava ao processo. O dirigente reiterou que o clube cumprirá a determinação judicial na íntegra, mas reafirmou seu compromisso com a transparência e defendeu a necessidade urgente de modernizar a estrutura corinthiana para ampliar a voz dos associados.

Cientes de que o vácuo regulatório trava a profissionalização da diretoria e estica a corda política, lideranças do clube cobram consenso e agilidade para destravar as pendências legais. O Corinthians confirma que aguardará o desfecho do mérito na Justiça para tentar reorganizar o calendário institucional e submeter a reforma a uma nova votação.


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