18/9/2026 18:10

Impasse institucional no Timão: recurso de vitalícios trava regras eleitorais de 2026

Pela 4ª vez, a Justiça de SP suspendeu a assembleia da reforma do estatuto do Corinthians, apontando risco às regras da eleição presidencial de 2026.

Impasse institucional no Timão: recurso de vitalícios trava regras eleitorais de 2026
O terremoto esportivo provocado pela desclassificação precoce no torneio continental atingiu as entranhas políticas do Parque São Jorge neste fim de semana e coloca a governança alvinegra totalmente em jogo. O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) confirma a suspensão liminar da Assembleia Geral Extraordinária (AGE) convocada para votar o novo estatuto do clube, impondo a quarta paralisação consecutiva ao processo e aprofundando uma crise institucional que se arrasta entre conselheiros e associados.

A ordem do Poder Judiciário reage a uma investida pesada movida por conselheiros vitalícios da oposição. O grupo contesta a validade do edital e admite a ocorrência de vícios formais graves nos bastidores: os autores da ação comprovaram que a presidência do Conselho Deliberativo atropelou os trâmites do estatuto vigente ao ignorar a consulta prévia e obrigatória ao Conselho de Orientação (Cori), exigência expressa no artigo 97, além de recolocar na pauta temas polêmicos já rejeitados em deliberações anteriores do órgão colegiado.

— A necessidade de proteger o Corinthians de aventuras administrativas nos desafia a buscar a legalidade nos tribunais quando os ritos internos são rasgados. A oposição admite a urgência de oxigenar a gestão, mas o tamanho do clube nos cobra respeito inegociável às normas vigentes. Não há nenhum acordo travado para validar regras eleitorais na marra, muito menos sem ouvir as instâncias de controle que dão equilíbrio político à instituição — dispara uma fonte ligada ao grupo de conselheiros nos bastidores do Parque São Jorge.

Ao conceder a tutela de urgência, o desembargador Maurício Campos da Silva Velho destacou o perigo concreto de dano irreparável às normas que regerão as eleições presidenciais de 2026, caso o texto fosse aprovado sem o devido filtro legal, transformando a disputa estatutária em um complexo impasse jurídico.

Em pronunciamento oficial, o presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Jr., lamentou o novo revés na Justiça, mas garantiu que a determinação será cumprida integralmente, embora reafirme a tese de que a modernização do texto é indispensável para dar mais voz ao associado e acabar com o loteamento do poder interno.

Pressionada pela torcida organizada nas arquibancadas e atolada em litígios institucionais nas salas refrigeradas, a diretoria alvinegra enfrenta um desgaste sem precedentes.

Lideranças políticas cobram serenidade e abertura ao diálogo para destravar o processo. O Corinthians confirma que aguardará o julgamento do recurso pelo plenário do TJ-SP para tentar reorganizar o calendário e restabelecer o debate em torno da reforma estatutária.


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