Mão na bola ou bola na mão? A eterna discussão se foi ou não pênalti ficou mais complexa nos últimos tempos. Isso porque a partir do segundo semestre do ano passado, a Fifa orientou os árbitros que passassem a observar o movimento que gerou o toque das mãos na bola, se foi natural, se veio a partir de uma "ampliação do raio de ação" (caso do carrinhos) ou se o atleta deixou claro que não queria tocar a mão bola, como ao deixar os braços colocados no corpo. Nestes casos, a sugestão da Fifa é não marcar as penalidades.
Um exemplo aconteceu no clássico entre Corinthians e São Paulo, no dia 9 deste mês, que terminou com empate por 1 a 1. O meia tricolor Wesley bateu a bola para o gol e o lateral-esquerdo Uendel, do Timão, cortou com o braço. O árbitro Leandro Vuaden nada marcou. O volante Elias apontou erro do juiz ao dizer que houve a infração. E aproveitou para comentar a nova interpretação da regra.
- Foi pênalti (do Uendel). Eu acho que a regra ficou mais justa, porque quando se dá o carrinho, você está assumindo o risco de cortar uma bola com a mão. A mesma coisa do Erazo (pênalti não marcado do gremista no jogo contra o Atlético-MG, na quinta-feira), que estendeu a mão, a bola poderia ir no gol. Como não daria pênalti, mesmo ele estando perto? Para os atacantes, para aquele que está atacando é bom ser favorecido assim, porque você vai estar impedindo um gol, um lance que é o mais bonito no futebol.
Também participante do "Bem, Amigos!", o meia Lucas Lima, do Santos, (que será companheiro de Elias na seleção brasileira nos amistosos contra a Costa Rica e os Estados Unidos, nos dias 5 e 8 de setembro) concordou com o rival sobre a mudança na norma.
- Concordo com o Elias, mas fica a dúvida. Eu entendo, porque é difícil dar o carrinho com a mão assim (colada ao corpo) - disse Lucas.
O comentarista de arbitragem Arnaldo Cezar Coelho traçou um paralelo entre o que ocorre no Brasil com os casos de mão na bola ou bola na mão e o que acontece no futebol europeu.
- Nem todos os lances são marcados na Europa. O europeu tem um espírito totalmente diferente em termos de simulação. Eles não admitem simulação e não admitem que o zagueiro vá na bola com o objetivo de meter a mão na bola - disse.