23/3/2014 13:52

Mano Menezes prega respeito a Sheik, mas pede mais dois atacantes.

Técnico destaca importância de Jadson para o Corintihans, relembra saída do Fla e prefere não falar mais de Seleção: 'Tudo o que se diz é levado para um ou outro lado'

Em novembro de 2012, ele foi demitido da Seleção e ficou um bom tempo longe dos campos e dos microfones. Reapareceu em junho de 2013 como novo técnico do Flamengo, mas no dia 19 de setembro pediu demissão após uma derrota por 4 a 2 contra o Atlético Paranaense. O destino parecia incerto até o dia 15 de novembro de 2013, até que Tite foi demitido do Corinthians. Seria a chance, então, de recomeçar uma parceria de sucesso. Hipótese que se concretizou no dia 11 de dezembro de 2013.

Foram 185 jogos na primeira passagem, entre eles o que garantiu o retorno do clube para a Série A do futebol, em 2008. Instável nos quinze jogos de 2014, Mano Menezes conversou com o repórter Mauro Naves sobre a missão de reestruturar um time vencedor. Leia alguns pontos importantes da entrevista e assista ao vídeo da reportagem.
Por que você saiu do Flamengo?
As coisas não estavam bem. Eu sabia que a decisão seria desgastante e antipática, porque as pessoas não entendem que o técnico pode decidir a hora de ir embora. Que só o clube pode demitir, assim como o Dorival havia acabado de sair. Entendi que eu não daria uma boa colaboração para equipe naquele momento, talvez eu não estivesse bem. Entendi que a melhor colaboração que eu podia dar era sair.
Acha que seu retorno ao Corinthians foi tarde para a reformulação?
Seria desrespeitoso eu falar sobre isso, até porque existia outro profissional aqui, que era o Tite, e sabia muito bem como conduzir o time. Eu acho que foi feita no momento certo. Porque quando você tem um grupo vencedor, você acredita que ele pode reagir.

O que mudou de 2008 para 2014?
O mais difícil está sendo agora. Em 2008, iniciamos a montagem praticamente do zero, havíamos acabado de ser rebaixado. Agora não, a reformulação para a qual eu fui contratado e aceitei a fazer é de um grupo extremamente vencedor.
Você ainda conta com o Emerson Sheik?

Essas questões de saída eu tenho por hábito não desrespeitar o atleta. Não seria inteligente da nossa parte chegar aqui e dizer "esse está fora dos planos, esse não joga mais".

Até porque futebol não é assim, hoje não está, e daqui a pouco amanhã está, cresce de novo e resolve. Em um primeiro momento, disse que a gente não ia jogar ninguém para fora do grupo e nunca fizemos isso. As oportunidades vão surgindo naturalmente pelo valor que esses jogadores possuem.

O elenco está completo, vem novidade por aí?
Precisamos de um lateral-direito para o nosso grupo, penso que no setor de meio-campo podemos qualificar, e acho que vamos. E estamos pensando em dois atacantes para somar com os jogadores que temos aí.

Acha um vexame o Corinthians não se classificar?
Lógico que a obrigação era nossa da classificação. Foi um fracasso esportivo, nós não fugimos da responsabilidade de que deveríamos ter nos classificado. Se nós olharmos para tudo o que aconteceu nesses primeiros três meses, vamos entender por que isso aconteceu. Mesmo assim, a gente não foge da responsabilidade de que deveríamos ter nos classificado.

A desclassificação não teve a ver com a derrota do São Paulo para o Ituano?
O São Paulo já tinha atingido seus objetivos, o torcedor também não queria que ganhassem o jogo. Os cartazes estavam lá dizendo isso e houve a comemoração do resultado. Tudo isso está dentro de um jogo. Quando é assim, quando ele sai do normal, é lógico que o comportamento do jogador não é o mesmo. Sem que isso seja levado para o lado da sacanagem, da desonestidade.

Por que você abriu mão do Alexandre Pato?
O Pato não estava feliz no Corinthians, e o Corinthians não estava feliz com o rendimento dele. Surgiu a oportunidade porque o Jadson também não estava feliz no São Paulo, e o São Paulo não estava feliz com o Jadson.

Por essa razão essa negociação foi sacramentada, difícil de ser assimilada pela rivalidade das torcidas, pelo retrospecto anterior. Penso que essa negociação foi boa para todos os lados.
Qual a importância do Jadson para o futuro do time?

Na verdade nós precisávamos de um jogador para essa função, acho ele importantíssimo para o tipo de jogo que quero armar na equipe. A gente se recente muito desse tipo de jogador nos times brasileiros, então quando você o tem, a equipe tende a caminhar melhor.

Ainda incomoda falar de Seleção Brasileira?
Não me incomoda o assunto. Só não falo mais, pois o que eu falar pode ser mal-interpretado. Tudo que se fala, se leva para um lado ou para outro lado. Se o Daniel Alves diz que é importante ter um campeão do mundo, as pessoas me perguntam se eu fico chateado. Não. É um elogio para quem está lá.

Qual o peso do Neymar para a Seleção ganhar a Copa?
Neymar é o maior expoente que a gente tem na Seleção. Ele é decisivo em quase todos os jogos que precisa e tem capacidade técnica para armar as jogadas para os outros.



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