A situação financeira do Corinthians continua a ser um tema delicado, especialmente em relação à dívida gerada pela construção da Neo Química Arena. Recentemente, a diretoria apresentou um levantamento que, considerando a correção monetária, aponta um saldo de R$ 1,246 bilhão. Contudo, o valor efetivamente desembolsado pelo clube gira em torno de R$ 600 milhões.
O montante de R$ 1,246 bilhão é baseado na correção pela taxa CDI, acrescida de 2%, conforme o novo contrato assinado com a Caixa Econômica Federal em 2022. Em contraste, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou uma inflação de 4,26% no ano anterior, enquanto o CDI ficou em 14,3%. Sem a aplicação dessa correção, a diretoria estima que o valor total pago se aproxima de R$ 600 milhões, embora não existam documentos oficiais que comprovem esse montante.
Em 31 de dezembro de 2025, a dívida do clube era de R$ 642 milhões, conforme o balanço financeiro. O Corinthians pagou aproximadamente R$ 224 milhões em 2024 e 2025, além de cerca de R$ 85 milhões em 2023. Com as contribuições da torcida, totalizando R$ 40,9 milhões, os pagamentos nos últimos três anos somam aproximadamente R$ 350,3 milhões.
O ex-diretor financeiro Wesley Melo havia declarado que, até 2017, o Corinthians havia quitado R$ 165 milhões da dívida. Em 2026, o clube efetuou duas parcelas trimestrais, totalizando R$ 56 milhões, restando ainda outros R$ 56 milhões a serem pagos nas próximas prestações deste ano. Também foram alocados R$ 27 milhões em uma conta de reserva para a dívida.
O novo contrato, assinado em outubro de 2022, renegociou o saldo devedor, com vencimento previsto para dezembro de 2041. Este acordo estabelece amortizações crescentes a partir de 2025, além de juros que começaram a ser pagos em 2023, a uma taxa de 2% ao ano, acrescida da variação do CDI.
Nos bastidores, a dívida com a Arena é considerada um dos principais fatores da crise financeira enfrentada pelo Corinthians, que apresenta um endividamento total de R$ 2,723 bilhões. O presidente Osmar Stabile mencionou a necessidade de resolver essa questão para melhorar as finanças do clube e, em depoimento ao Ministério Público, destacou a gravidade do problema.
O custo total da construção da Neo Química Arena foi de R$ 985 milhões, sendo que o Corinthians financiou parte desse valor com R$ 400 milhões, que aumentaram ao longo do tempo devido à inadimplência e aos juros. Além disso, o clube utilizou Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento (CIDs) como parte do pagamento, em troca de benefícios fiscais concedidos pela Prefeitura de São Paulo.
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