27/8/2026 11:16

R$ 2,5 BILHÕES EM JOGO! Corinthians avança em discussão sobre possível SAF

Corinthians recebe representantes da SAFiel no Parque São Jorge, apresenta questionamentos e abre nova etapa nas discussões sobre possível transformação em SAF

R$ 2,5 BILHÕES EM JOGO! Corinthians avança em discussão sobre possível SAF
Eduardo Salusse, Carlos Teixeira e Osmar Stábile

O debate sobre uma possível transformação do futebol do Corinthians em SAF ganhou um novo capítulo. Dirigentes do clube e representantes da SAFiel se reuniram por aproximadamente quatro horas na noite desta quarta-feira (26), no Parque São Jorge, para discutir o projeto e esclarecer pontos que ainda provocam dúvidas dentro da administração alvinegra.



O encontro começou em clima de cobrança, com uma espécie de “lavagem de roupa suja”, nas palavras de Eduardo Salusse, um dos idealizadores da SAFiel. Depois das divergências iniciais, porém, as partes restabeleceram o diálogo e definiram os próximos passos para a discussão.





Apesar da reaproximação, o Corinthians ainda não aprovou a SAFiel e não assumiu compromisso de transformar seu futebol em SAF. O avanço, neste momento, está na abertura de um processo formal para que as dúvidas do clube sejam respondidas.





Reunião começou com cobranças



O encontro reuniu alguns dos principais dirigentes do Corinthians e os responsáveis pelo projeto.



Estiveram presentes, entre outros, o presidente Osmar Stabile, o vice-presidente Armando Mendonça, o presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, e o presidente do Conselho de Orientação (Cori), Miguel Marques e Silva.



Pela SAFiel, participaram os idealizadores Eduardo Salusse e Carlos Teixeira, além de integrantes do Comitê de Acompanhamento do projeto.



Segundo Salusse, o início da conversa serviu para que os dois lados expusessem incômodos acumulados nos últimos meses.



Corinthians fez uma série de questionamentos



Superada a discussão inicial, a reunião passou para questões técnicas.



A cúpula corintiana apresentou dúvidas envolvendo aspectos jurídicos, societários, financeiros e de captação de recursos.



Um dos principais questionamentos está relacionado ao documento apresentado pela SAFiel para que o projeto possa avançar para a fase de estudos e captação.



A SAFiel o apresenta como uma proposta não vinculante em relação à decisão final de transformar ou não o Corinthians em SAF.



Entretanto, o próprio Salusse reconheceu que existem obrigações intermediárias caso o documento seja assinado, como fornecimento de informações, avaliação dos ativos e colaboração do clube durante os estudos.



Perguntas serão colocadas no papel



Corinthians e SAFiel acertaram que os questionamentos serão formalizados por escrito.



A expectativa apresentada pelos responsáveis pelo projeto é receber o documento do clube até esta sexta-feira (28).



A partir daí, a SAFiel pretende responder oficialmente às dúvidas em aproximadamente uma semana.



O objetivo é que as respostas também possam ser compartilhadas com dirigentes, conselheiros, associados e torcedores.



E os R$ 2,5 bilhões?



Esse é um dos pontos centrais da proposta.



A SAFiel trabalha com uma modelagem que pretende realizar uma grande captação de recursos no mercado para reestruturar financeiramente o Corinthians.



O projeto apresentado prevê uma captação que pode chegar a aproximadamente R$ 2,5 bilhões. Os responsáveis pela SAFiel já mencionaram, em versões mais recentes do projeto, a possibilidade de o montante alcançar R$ 3 bilhões.



O dinheiro teria diferentes destinações, incluindo reestruturação das dívidas, situação financeira da Neo Química Arena, infraestrutura, categorias de base, investimentos no futebol, governança e modernização administrativa.



SAFiel não prevê um único dono



Uma diferença importante da SAFiel em relação a diversas SAFs existentes no futebol brasileiro está no modelo de controle.



A proposta não prevê simplesmente a venda do futebol do Corinthians para um empresário ou fundo que se tornaria seu controlador.



O projeto prevê a criação da Invasão Fiel S/A, empresa que concentraria os ativos ligados ao futebol masculino, feminino e às categorias de base.



As ações seriam disponibilizadas tanto para torcedores quanto para investidores institucionais.



Torcedor poderia comprar ações



Um dos pilares da proposta é permitir a participação financeira da própria torcida.



O projeto prevê ações acessíveis a diferentes faixas de renda, com investimentos a partir de valores relativamente baixos.



Também existem mecanismos destinados a impedir que um único investidor concentre o poder político da empresa.



Na modelagem apresentada, nenhum acionista poderia exercer sozinho um poder de voto superior ao limite estabelecido pelo projeto, ainda que tivesse participação financeira maior.



Dívida bilionária aumenta pressão



A discussão acontece em meio à grave situação financeira do Corinthians.



O endividamento total do clube está próximo da casa dos R$ 3 bilhões, considerando também as obrigações relacionadas à Neo Química Arena.



Além disso, os resultados de 2026 continuam preocupantes.



O Corinthians registrou déficit de aproximadamente R$ 168 milhões até abril, resultado muito superior aos cerca de R$ 72,9 milhões de déficit previstos no orçamento para o período.



É nesse cenário que diferentes alternativas para uma profunda reestruturação financeira ganharam espaço dentro e fora do Parque São Jorge.



SAFiel já conseguiu mobilizar milhares de torcedores



O projeto também ganhou força fora da estrutura política do Corinthians.



Em agosto, a campanha da SAFiel ultrapassou a marca de 100 mil manifestações de apoio. Entre elas estavam milhares de sócios do Parque São Jorge.



A pressão da torcida também chegou às organizadas. Em julho, a Gaviões da Fiel cobrou publicamente maior transparência sobre a proposta e pediu uma reunião entre responsáveis pela SAFiel, diretoria e conselhos do Corinthians.



O que acontece agora?



O próximo passo é técnico.



O Corinthians deverá encaminhar formalmente seus questionamentos e a SAFiel apresentará as respostas. Somente depois dessa etapa será possível saber se existem condições para avançar para a discussão do documento que permitiria aprofundar os estudos.



Isso ainda não significa aprovação da SAF.



Uma eventual transformação do Corinthians dependeria de diversas outras etapas, incluindo estudos, avaliação dos ativos, questões regulatórias, análise dos órgãos internos e as aprovações previstas no Estatuto do clube.



O resultado mais concreto da reunião desta quarta-feira, portanto, foi a retomada do diálogo institucional entre Corinthians e SAFiel depois de meses de atritos.



Fiel, você é a favor de transformar o futebol do Corinthians em SAF neste modelo, com participação dos próprios torcedores?



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