2/6/2026 23:54
Impasse da Nike: liminar barra presidente do Conselho e joga crise no Corinthians
O Tribunal de Justiça de São Paulo concedeu liminar que afasta Leonardo Pantaleão da investigação do caso Nike no Corinthians por conflito de interesses.
O expediente nos gabinetes do Parque São Jorge sofreu uma ríspida intervenção que bagunçou o tabuleiro do poder alvinegro. O Tribunal de Justiça de São Paulo agiu de forma enérgica e barrou o presidente em exercício do Conselho Deliberativo, Leonardo Pantaleão, de conduzir a investigação interna sobre o ruidoso sumiço de materiais esportivos da Nike. A decisão liminar, expedida nesta terça-feira (2), atende a um pedido de socorro do vice-presidente do clube, Armando Mendonça, e coloca a sustentabilidade jurídica das comissões do Timão diretamente em jogo.
Nos bastidores do Fórum do Tatuapé, o juiz Antonio Manssur Filho, da 2ª Vara Cível, não titubeou ao apontar indícios graves de irregularidades no rito processual. O magistrado admite que o acúmulo de cadeiras por parte de Pantaleão — que chefia simultaneamente o Conselho e a Comissão de Ética e Disciplina — gera um evidente conflito de interesses e fere de morte o princípio da imparcialidade previsto no Estatuto Social. Para garantir o cumprimento imediato, a canetada fixa uma ríspida multa de R$ 50 mil caso o dirigente tente peitar a ordem.
O imenso impasse jurídico ganhou contornos de urgência porque o prazo para Armando Mendonça apresentar sua defesa prévia expirava no próximo dia 9 de junho. A defesa do vice-presidente cobra o devido processo legal e contesta a pressa da comissão, denunciando que Pantaleão abriu os prazos sem sequer nomear formalmente um relator ou anexar o prontuário cadastral do associado. Com o comandante da Ética isolado por ordem judicial, a ralação do caso Nike passa a ser controlada de forma colegiada pelos demais membros do comitê.
A alta cúpula do Corinthians confirma que o caldeirão político está fervendo, já que Pantaleão foi o motor dos processos de abafa que culminaram com as expulsões históricas dos ex-presidentes Andrés Sanchez e Augusto Melo na última semana. Procurado, o cartola minimizou o tombo, sustentou que a decisão é provisória e disparou que o procedimento seguirá normalmente sem sua presença digital. O relatório de tecnologia da informação aponta um desvio ruidoso de quase 300% acima da cota anual da Nike. Mendonça jura inocência, joga a culpa no marasmo administrativo da era Augusto Melo e desafia a auditoria, ciente de que desatar esse nó na Justiça será a única rota para não ser engolido pela faxina política que assombra o clube em 2026.
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