O Corinthians enfrenta um revesse jurídico após a 8ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2) determinar que o clube pague cerca de R$ 2,5 milhões ao ex-jogador Kauê Moreira de Souza. A decisão, que modifica parcialmente uma condenação anterior, inclui indenizações por danos materiais, morais e uma pensão que se estende até os 75 anos de idade do atleta, que se aposentou precocemente devido a lesões no joelho.
Kauê, que não teve a oportunidade de estrear no time profissional, alega ter sido vítima de negligência médica durante seu tratamento no clube. Ele sofreu uma importante lesão no joelho direito em 2021, a qual se agravou ao longo dos anos, resultando em limitações significativas em sua mobilidade e, consequentemente, em sua carreira esportiva.
Os desembargadores elevaram a indenização por danos morais de R$ 50 mil para R$ 200 mil e estipularam uma compensação de R$ 144 mil por danos materiais, correspondente ao salário do jogador. No que se refere à pensão, apesar de a quantia mensal ter sido reduzida para 15% do salário, o prolongamento do pagamento até os 75 anos foi considerado um fator positivo, alinhando-se às expectativas de vida masculina do IBGE.
O clube, que questiona a decisão, já sinalizou a intenção de recorrer ao Tribunal Superior do Trabalho (TST). Este movimento marca um momento crítico para o Corinthians, que além do embate jurídico, também enfrenta um panorama desafiador em sua gestão financeira, conforme evidenciado pela divulgação de déficits milionários.
Kauê, que ingressou no Corinthians em 2019 e ficou até 2024, só participou de 13 partidas nas divisões de base, sem nunca ter a chance de treinar com os profissionais. Sua trajetória lesionada destaca a importância da gestão de saúde dos atletas e o impacto que decisões médicas podem ter sobre suas carreiras.
A questão da lesão de Kauê envolveu múltiplos tratamentos, incluindo fisioterapia e infiltrações, mas uma cirurgia necessária só foi realizada em 2023, após um prolongado período de espera e desvios no tratamento. O caso levanta preocupações sobre a adequação do suporte médico oferecido pelo clube a seus jogadores.
O Corinthians, neste cenário, precisa não apenas avaliar suas responsabilidades jurídicas, mas também as implicações de suas práticas médicas e suas consequências para a formação e desenvolvimento de jovens atletas. A situação de Kauê serve como um alerta sobre a importância da saúde integral e suporte adequado na carreira dos jogadores.
A expiração do contrato de Kauê em abril de 2024, com a continuidade das queixas de dor e restrição, enfatiza a necessidade de um olhar atento das instituições esportivas sobre o bem-estar de seus profissionais. A expectativa é que o desfecho do caso sirva como referência para a melhoria das práticas de cuidado e gestão dentro do futebol.
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