3/4/2026 20:05
Autoridades discutem fim da torcida única em SP, mas veem longo caminho
Nesta semana, a proibição de torcidas visitantes em clássicos no estado de São Paulo completa exatos 10 anos. O último Derby com as duas torcidas dividindo o mesmo teto ocorreu em 3 de abril de 2016, no Pacaembu — um dia marcado por confrontos que deixaram um morto e dezenas de presos, culminando na restrição imposta pelo então secretário de Segurança Pública, Alexandre de Moraes.
Em 2026, um movimento liderado pela Anatorg (Associação Nacional das Torcidas Organizadas) e pelo advogado Renan Bohus tenta sensibilizar as autoridades para uma retomada gradual.
O Argumento da Tecnologia
Para os defensores do fim da restrição, o cenário de 2026 é drasticamente diferente do de 2016.
Biometria e Monitoramento: O avanço do reconhecimento facial e das câmeras de alta definição nos estádios paulistas permitiria a identificação imediata de infratores.
Retorno Gradual: A proposta sugere começar com cargas reduzidas de ingressos para visitantes, testando os protocolos de segurança em ambientes controlados.
A Resistência do Ministério Público e PM
Apesar da retomada do diálogo, órgãos de segurança e o Ministério Público mantêm o pé no freio. O promotor Roberto Bacal, do Jecrim, é um dos principais defensores da manutenção da torcida única.
"A experiência mostra que a medida salvou vidas e pacificou o transporte público. Nossa grande preocupação não é dentro do estádio, mas nos trajetos de metrô e trem, onde a tecnologia ainda não nos assegura totalmente", afirma Bacal.
A Polícia Militar corrobora a visão, destacando a eficiência operacional: hoje, é necessário um efetivo muito menor para cobrir um clássico (um PM para cada 142 torcedores) do que antes da proibição (um para cada 75).
O "Limbo" dos Clubes e Federação
Embora os clubes se digam favoráveis ao fim da restrição publicamente, os bastidores mostram pouco entusiasmo. O custo operacional de separar torcidas e o risco de depredação dos estádios pesam no bolso. A Federação Paulista de Futebol (FPF) mantém a postura de apenas acatar as recomendações do MP, sem liderar uma mudança de diretriz.
Próximos Passos
A OAB e o Ministério Público prometeram a criação de grupos de trabalho e audiências públicas para debater não só a torcida única, mas também a volta de bandeiras com mastro e a venda de bebidas alcoólicas. É uma abertura inédita em uma década, mas que, segundo interlocutores, ainda caminha em "passos de bebê".
Linha do Tempo: A Década da Restrição
03/04/2016: Último clássico com duas torcidas (Palmeiras 1x0 Corinthians).
04/04/2016: Anúncio da torcida única em SP para os quatro grandes.
2019: Ampliação da medida para o clássico campineiro (Guarani x Ponte Preta).
2026: Movimento jurídico propõe biometria como solução para o retorno dos visitantes.
Palavras-chave: Torcida Única, São Paulo, Clássicos Paulistas, Ministério Público, Anatorg, Segurança Pública, Brasileirão 2026, Paulistão.
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