A denúncia mais extensa partiu de uma bombeira que atuou no estádio entre 2024 e 2025. O relato, que integra um processo trabalhista de R$ 326 mil, descreve um ambiente de trabalho tóxico e perigoso:
O Abuso: A vítima afirma que um coordenador tentava agarrá-la forçosamente e chegou a trancá-la em um banheiro.
Negligência: Ao reportar o caso, ouviu de superiores que deveria "levar na brincadeira" para não prejudicar o contrato entre o clube e a empresa de segurança.
Recontratação Polêmica: Após ser demitido da empresa terceirizada, o acusado foi contratado diretamente pelo Corinthians como PJ pouco tempo depois, retomando os assédios e ameaças contra a vítima, que desenvolveu Síndrome de Burnout e depressão.
O Caso do Parque São Jorge: O "Protegido"
Na sede social, uma funcionária do controle de acesso formalizou denúncia em fevereiro de 2026:
Agressão Física: A carta enviada ao presidente Osmar Stabile relata que a funcionária foi agarrada forçosamente em duas ocasiões.
Retaliação: Após rejeitar o agressor, ela passou a ser humilhada publicamente. O acusado alegava que "nada aconteceria" por ser uma figura protegida internamente.
Barreira no RH: A vítima alega que o RH do clube inicialmente se negou a registrar a denúncia, exigindo um boletim de ocorrência prévio, o que a obrigou a buscar a polícia antes de ser ouvida pelo jurídico.
A Reação do Clube e Próximos Passos
O Corinthians agora corre contra o tempo para dar uma resposta institucional:
Afastamentos Imediatos: O clube deve confirmar até quinta-feira o afastamento preventivo dos dois acusados enquanto as investigações avançam.
Sindicância Interna: No caso do Parque São Jorge, uma investigação foi aberta em fevereiro, mas o funcionário seguiu trabalhando normalmente até então, o que gerou críticas internas.
Transparência: O departamento jurídico analisa os documentos e a "falha de comunicação" que permitiu a recontratação do bombeiro acusado na Arena, buscando entender quem autorizou o retorno do profissional ao estádio.
O Corinthians encerra esta quarta-feira sob uma sombra que vai muito além das quatro linhas. Casos de assédio exigem tolerância zero e uma leitura de jogo administrativa que priorize a segurança de suas colaboradoras. O afastamento dos suspeitos é o primeiro passo, mas a Fiel e a sociedade cobram uma reforma profunda nos protocolos de compliance do clube, garantindo que o Parque São Jorge e a Neo Química Arena sejam ambientes de respeito e dignidade para todos.